- O relatório de terceira edição do Estado da CDR, lançado em 2 de junho, aponta que a remoção de CO₂ precisa quadruplicar para cumprir a meta do Acordo de Paris.
- Atualmente o mundo remove 2,2 gigatoneladas de CO₂ por ano, o que representa cerca de 5% das emissões globais brutas.
- A meta para 2050 é chegar a 8,75 Gt CO₂ removidas por ano; entre 2026 e 2030 é considerado crucial ampliar os mecanismos de captura.
- Reflorestamento, regeneração do solo e capturas mecânicas de carbono predominam hoje; DACCS e DOCCS são os métodos mais caros.
- O Brasil já pratica remoções de carbono via uso da terra, agropecuária e restauração ecológica, sem enquadrá-las formalmente como CDR; há espaço para conectar resíduos, biochar e BECCS às políticas públicas.
O terceiro relatório do Estado da CDR, lançado em 2 de junho, indica que as tecnologias ativas de remoção de CO₂ precisam quadruplicar para cumprir a meta do Acordo de Paris. O objetivo é limitar o aquecimento a 1,5 °C, ou no mínimo bem abaixo de 2 °C.
O documento é elaborado por um painel que monitora a remoção de carbono global e orienta políticas, levando em conta as Contribuições Nacionalmente Determinadas. Avalia o ritmo das ações dos países para reduzir emissões e aumentar retiradas de CO₂.
Atualmente, o mundo remove 2,2 gigatoneladas de CO₂ por ano, cerca de 5% das emissões globais. China, EUA, UE, Brasil e Rússia são os maiores agentes de remoção, mas o cenário atual não basta para atingir as metas.
O que precisa mudar
A remoção global teria de chegar a 8,75 Gt CO₂ por ano até 2050. O intervalo 2026-2030 é considerado crucial para ampliar mecanismos de captura. Combater o aquecimento demanda reduzir emissões e também remover CO₂ já presente na atmosfera.
As estratégias de CDR abrangem reflorestamento, manejo regenerativo do solo e captura de ar. Segundo o relatório, a maior parte da remoção já vem de técnicas convencionais, com custo estimado entre US$ 5 e US$ 53 por tonelada. Métodos inovadores são mais caros.
Métodos e classificações da CDR
CDR é definida pelo IPCC como ações humanas que capturam CO₂ da atmosfera e o armazenam de forma duradoura. A definição exclui absorção natural sem intervenção humana. Em termos práticos, DACCS e reflorestamento planejado são considerados CDR, mas captura de fontes fósseis não é.
O relatório divide as opções em convencionais (LULUCF, reflorestamento, agroflorestas, manejo de solos, restauração de zonas úmidas) e inovadoras (DACCS, biochar, BECCS, DOCCS, entre outras). O custo tende a variar conforme o método.
Brasil e o cenário nacional
O Brasil pratica remoções de carbono principalmente por uso da terra, agricultura e restauração ecológica, sem enquadrá-las explicitamente como CDR nos documentos oficiais. A NDC de 2024 incorpora esse CDR implícito ao balanço líquido de emissões, com foco na preservação de sumidouros e recuperação de ecossistemas.
A estratégia brasileira concentra grandes remoções neste setor, deixando espaço limitado para políticas públicas conectarem resíduos a mecanismos de remoção. Gestores rampam para incluir biochar, BECCS associado ao biogás e remoções permanentes da fração orgânica de resíduos.
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