- Em 2015, em uma ilha deserta, foram recolhidos mais de 10 sacos de garrafas PET em apenas 100 metros de praia, sinalizando poluição marinha.
- Em 2018, Heloisa Schurmann e familiares criaram o Instituto Voz dos Oceanos, para atuação brasileira na conservação dos mares.
- Em 2025, durante expedição pela Indonésia, Heloisa relatou contato direto com lixo durante mergulho, incluindo potes de iogurte e embalagens de xampu.
- O Brasil é o oitavo maior poluidor global de oceanos e o primeiro da América Latina, produzindo mais de 500 bilhões de itens de plástico de uso único por ano.
- Pesquisa em parceria com a Universidade de São Paulo aponta que 100% do território litorâneo brasileiro está contaminado por microplásticos, com impactos na segurança alimentar.
Heloisa Schurmann e Iran Magno participaram do Podcast do Correio para debaterem a urgência de cuidar dos oceanos, responsáveis por cerca de 50% do oxigênio produzido no planeta. A conversa abordou poluição marinha, ciência e necessidade de ações no Brasil.
A velejadora e escritora, fundadora do Instituto Voz dos Oceanos, relatou mudanças no relacionamento com o mar ao longo de quatro voltas ao mundo. Em 2015, numa ilha deserta, recolheram mais de 10 sacos de 100 litros de garrafas PET em 100 metros de praia.
Durante a expedição recente à Indonésia, em 2025, Heloisa disse ter sido atingida por lixo enquanto mergulhava, com potes de iogurte e embalagens de xampu saindo da água. O relato reforça a percepção de que o problema é global.
Plástico de uso único e políticas
Iran Magno lembrou que a poluição não vem apenas das lixeiras domésticas, mas de decisões ao longo do tempo. O Brasil é o oitavo maior poluidor de oceanos e o primeiro da América Latina, segundo ele.
Anualmente, o país produz mais de 500 bilhões de itens de plástico de uso único, que duram séculos, mas são usados por poucos minutos. Magno critica a produção atual e cita o conceito de um tsunami de plástico.
Heloisa citou estudo com a USP mostrando que 100% do litoral brasileiro está contaminado por microplásticos, o que impacta a segurança alimentar. A pesquisadora destacou alerta sobre o consumo de alimentos contaminados.
Avanços legislativos e educação
Foi discutida a proposta de lei 2.524/2022, que cria a Economia Circular do Plástico, hoje parada há quase dois anos sob a relatoria de Otto Alencar. Mais de 140 países adotaram leis semelhantes, citando Chile como exemplo de banimento de sacolas.
Heloisa destacou que os oceanos são dois pulmões do planeta, lembrando que fitoplânctons produzem mais oxigênio que as árvores. O oceano regula o clima, tendo absorvido grande parte do calor desde 1970, com impactos em eventos extremos.
Educação e ações individuais
Para enfrentar a crise, a defesa é pela educação oceânica nas escolas, reforçada por publicações infantis como Kat – A Guardiã dos Oceanos. A meta é formar gerações que atuem de forma prática.
Magno ressaltou a responsabilidade da geração atual para evitar que os problemas se repitam. As ações da ONG estão disponíveis para consulta pública, com dados sobre preservação dos oceanos.
Prestes a completar 80 anos, Heloisa fez um apelo para reduzir embalagens: *Descasque mais e rasgue menos*. Ela afirmou que a tecnologia disponível facilita o conhecimento e a necessidade de agir para preservar os oceanos.
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