- Stefano Mancuso afirma que a crise climática é o maior desafio da história humana e pode levar à extinção se não houver mudança radical na relação com o planeta.
- Em evento de inauguração no Rio de Janeiro, ele criticou a lógica de visão centrada no ser humano e a dependência das plantas.
- Propõe medidas de renaturalização urbana, como substituir o asfalto por áreas verdes e retirar 20% das ruas para ampliar espaços vegetais.
- Defende atuação jurídica para forçar governos e empresas a adotarem metas climáticas, dizendo que tribunais são instrumentos eficazes.
- Durante a visita, inaugurou a exposição Revolução das Plantas na Galeria VÃO; mostra é gratuita de terça a domingo, das 10h às 17h.
A crise climática é, segundo o neurobiólogo italiano Stefano Mancuso, o maior desafio já enfrentado pela humanidade. Ele fez a afirmação durante a inauguração do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e da Galeria VÃO, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 9. O cientista chamou a atenção para a dependência das plantas e para a necessidade de mudar a relação com o planeta.
Mancuso sustentou que a visão de um homem isolado da natureza é uma ameaça. Para ele, a prática de monocultura humana aproxima a humanidade de um colapso. O professor da Universidade de Florença é referência na neurobiologia vegetal e tem obras publicadas no Brasil pela Ubu Editora.
O pesquisador ressaltou o papel da ciência diante das mudanças climáticas, criticando negacionistas. Defendeu medidas urgentes de renaturalização para reduzir o aquecimento urbano. Entre as propostas, está a substituição do asfalto por áreas verdes e a remoção de coberturas impermeáveis nas cidades.
Ciência x opinião
Mancuso afirmou que a ciência trabalha com fatos e dados consolidados e não com opiniões subjetivas. Ele disse que tratar a ciência como mera opinião é inadequado diante da crise climática. Foi destacado o papel de instrumentos legais para avanços ambientais.
Ele sugeriu ações concretas para governos locais, como incentivar a arborização e reduzir superfícies impermeáveis. Segundo o pesquisador, municípios que adotarem essas medidas cedo evitarão impactos maiores e custos crescentes no futuro.
Cidades na floresta
Para ilustrar convivência entre urbanização e natureza, Mancuso citou antigas civilizações da Amazônia. Segundo ele, cidades circulavam dentro da floresta sem destruí-la, versão histórica de espaços que coexistem com a biodiversidade. Também destacou a ideia de plantas como sujeitos inteligentes.
O neurobiólogo explicou que as plantas apresentam inteligência descentralizada, com decisões distribuídas principalmente nas raízes. O modelo é apresentado como lição de organização coletiva para sociedades diante de crises.
Caminho dos tribunais
Mancuso apontou a via judicial como instrumento para cobrar responsabilidades. Processos contra governos omissos e empresas poluidoras, segundo ele, têm eficácia real na implementação de metas climáticas.
Ele citou o papel dos tribunais para forçar mudanças e a preservação do meio ambiente, mantendo o foco em resultados verificáveis.
Exposição
Durante a visita ao Rio, Mancuso inaugurou a exposição Revolução das Plantas, na Galeria VÃO. A mostra reúne trabalhos de artistas brasileiros em diálogo com natureza e tecnologia.
Segundo Moises Nascimento, coordenador do CCCS, o espaço busca aproximar sociedade, ciência e arte. A visitação é gratuita, aberta de terça a domingo, das 10h às 17h.
Entre na conversa da comunidade