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Ex-diretor da Anvisa diz que vacina do Butantan contra dengue seria aprovada

Ministério da Saúde suspende temporariamente a vacina do Butantan contra a dengue após 42 reações graves, com duas mortes sob investigação

Vacina contra a dengue do Butantan foi suspensa esta semana pela Anvisa
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  • Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacina do Butantan contra a dengue após 42 reações graves, incluindo duas mortes possivelmente ligadas ao imunizante, ainda sob investigação.
  • A vacinação alcançou profissionais de saúde e moradores de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e região de Araguaína (TO), totalizando cerca de 500 mil pessoas vacinadas.
  • O sanitarista Gonzalo Vecina afirmou que, em estudo com quase dezesseis mil voluntários, não houve internações entre os vacinados e defendeu que a vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo.
  • O governo diz que não há sinais de falhas de armazenamento, transporte ou aplicação e que as mortes e as reações graves serão investigadas junto a possíveis comorbidades e outros fatores de risco.
  • A Anvisa formará um painel de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica; a decisão sobre retorno da vacinação depende dos resultados, e a Qdenga da Takeda continua disponível no SUS.

O governo suspendeu nesta semana a vacinação contra a dengue realizada pelo Instituto Butantan após 42 casos de reações severas, com duas mortes possivelmente ligadas ao imunizante. A aplicação ocorria entre profissionais de saúde e moradores de municípios brasileiros, conforme anúncio do Ministério da Saúde.

O médico sanitarista Gonzalo Vecina, ex-presidente da Anvisa, afirmou que, em sua visão, a vacina do Butantan teria sido aprovada em qualquer lugar do mundo. Ele destaca que, na pesquisa com quase 16 mil voluntários, cerca de 11 mil receberam a vacina e 5 mil o placebo, sem internações entre os vacinados.

Vecina compara a dose única do Butantan com a vacina da Takeda, Qdenga, apontando vantagens de prazos e uso. Observa, porém, que no mundo real a amostra da vacinação é maior e pode revelar situações não observadas em estudos. A investigação sobre os 42 casos deve durar semanas.

Por que a vacina foi suspensa

O Ministério da Saúde registrou 500 mil aplicações da vacina do Butantan em profissionais de saúde, além de doses aplicadas em Botucatu, Maranguape, Nova Lima e Araguaína. Os 42 eventos adversos incluíram dor abdominal intensa, vômitos e sangramentos, que não estavam previstos na bula.

Três casos foram considerados graves; dois óbitos foram registrados. Não houve confirmação de causalidade, e as mortes serão investigadas junto a possíveis comorbidades e outros fatores de risco. Não há indícios iniciais de falhas no armazenamento, transporte ou aplicação das doses.

Situação atual e próximos passos

As vacinas já aplicadas continuam armazenadas na rede de frio, aguardando conclusão da apuração. Não há data definida para a retomada da vacinação. A Anvisa formará um painel de especialistas para aprofundar a avaliação epidemiológica.

O diretor do Butantan afirmou que a instituição confia na vacinação como arma de combate à dengue e que a decisão sobre a retomada deverá se basear em dados rigorosos. A pasta destaca que a Qdenga, da Takeda, segue disponível no SUS para jovens entre 10 e 14 anos.

Sobre a vacina do Butantan

O Butantan desenvolveu a vacina ao longo de cerca de 20 anos e licenciou tecnologia ao NIH. Estudos clínicos envolveram mais de 11 mil voluntários com acompanhamento de cinco anos, com eficácia global de 65% e 80,5% contra casos graves. Enquanto isso, a dengue continua como prioridade de saúde pública no Brasil.

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