- Stefano Mancuso afirmou que a crise climática é o maior desafio da história humana e que há risco de extinção se não houver mudança radical na relação com o planeta, durante a inauguração no Rio.
- O evento marcou a abertura do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e da Galeria VÃO, na Avenida Presidente Vargas.
- O neurobiólogo defendeu renaturalização urbana e substituição do asfalto por áreas verdes, sugerindo remover vinte por cento das ruas para ampliar a presença de plantas.
- Ele citou que cidades antigas da Amazônia mostram coexistência entre urbanização e floresta e destacou a inteligência descentralizada das plantas como lição para a organização humana.
- Mancuso também afirmou que tribunais devem ser usados para pressionar governos e empresas a adotarem metas climáticas; a mostra “Revolução das Plantas” fica aberta ao público gratuitamente de terça a domingo, das 10h às 17h.
A crise climática é apresentada como o maior desafio da história humana por Stefano Mancuso, neurobiólogo italiano e protagonista de uma palestra de inauguração no Rio de Janeiro. O evento ocorreu na cerimônia de abertura do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e da Galeria VÃO, nesta terça-feira, 9 de junho. O objetivo foi destacar a gravidade do aquecimento global e a necessidade de mudanças radicais na relação entre seres humanos e natureza.
Segundo Mancuso, a humanidade não enfrentou uma ameaça semelhante e não se trata de um ciclo natural superável. Ele ressaltou que o risco de extinção da espécie existe se não houver atuação rápida e efetiva. O pesquisador criticou a visão antropocêntrica que desconsidera a dependência do reino vegetal para a sobrevivência humana.
O neurobiólogo, professor da Universidade de Florença, enfatizou a importância de reconhecer a inteligência das plantas e a falha de uma monocultura humana que isola as pessoas do mundo natural. Ele defende uma reformulação do modelo urbano para reduzir impactos e aumentar a relação sustentável com a biodiversidade.
Para Mancuso, renaturalizar cidades é uma estratégia prática para conter o aquecimento. Entre as medidas citadas estão a substituição de áreas de asfalto por espaços verdes e a remoção de impermeabilizações, com a arborização em massa das áreas urbanas. Ele estima que retirar cerca de 20% do espaço de vias e pavimentos poderia evitar mortes e custos elevados no longo prazo.
Caminhos práticos
O pesquisador defendeu a atuação de tribunais como ferramenta para forçar governos e grandes corporações a adotarem agendas reais de preservação ambiental. Segundo ele, processos contra omissão governamental e poluidoras podem acelerar o cumprimento de metas climáticas.
Cidades na floresta
Mancuso lembrou exemplos de antigas civilizações da Amazônia para ilustrar convivência equilibrada com a natureza. Segundo ele, esses centros urbanos foram criados dentro da floresta, mantendo conexão estreita com o ambiente, ao contrário da arquitetura que concentra impactos.
Exposição Revolução das Plantas
Durante a visita, Mancuso inaugurou a mostra homônima na Galeria VÃO, com obras de artistas brasileiros que exploram as interações entre natureza e tecnologia. A programação é gratuita, aberta de terça a domingo, das 10h às 17h, no CCCS, na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro.
Moises Nascimento, coordenador do CCCS, destacou que o novo espaço pretende aproximar público da produção científica por meio da arte. A galeria busca combinar divulgação do conhecimento com fruição artística e reflexão crítica, conectando Cultura e Educação do Sesc RJ.
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