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El Niño começa com 2 em 3 cidades despreparadas para enchentes

El Niño inicia com dois em cada três municípios despreparados para inundações e deslizamentos, destacando 3.668 cidades de baixa adaptação

Moradora caminha sobre lama em área atingida por chuvas extremas em Juiz de Fora (MG) em fevereiro deste ano
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  • O El Niño foi confirmado neste ano, o que pode intensificar chuvas fortes e desastres hidrogeológicos no Brasil.
  • A plataforma AdaptaBrasil, da Folha, aponta que 2 em cada 3 municípios têm capacidade baixa ou muito baixa para enfrentar inundações, enxurradas e deslizamentos.
  • São 3.668 municípios (66%) com itens adaptativos insatisfatórios para inundações e alagamentos, e 3.736 (67%) com indicadores abaixo do ideal para deslizamentos.
  • No Sul, 343 cidades (29% dos 1.191) apresentam capacidade adaptativa baixa ou muito baixa para ambos os riscos; no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, a vulnerabilidade é expressiva.
  • A Noaa aponta 63% de chance de El Niño ocorrer na forma mais forte; gestão pública destaca que muitos recursos do Novo Pac ainda não foram mobilizados para prevenção de desastres.

O El Niño foi confirmado nesta quinta-feira 11, segundo a Noaa, elevando as preocupações com eventos climáticos intensos como inundações e deslizamentos. O fenômeno, ligado ao aquecimento das águas do Pacífico, pode canalizar mais umidade para o Sul do Brasil.

Dados da plataforma AdaptaBrasil, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com o Inpe, apontam que 2 em cada 3 municípios do país têm baixa ou muito baixa capacidade de adaptação a chuvas extremas. São 3.668 cidades com índices insatisfatórios para inundações e alagamentos.

Ainda segundo a rede, 3.736 municípios (67%) apresentam indicadores abaixo do ideal para deslizamentos de terra. Os números não significam que todas essas localidades terão desastres, mas indicam pouca preparação para esses eventos.

No Sul, 343 cidades possuem capacidade baixa ou muito baixa tanto para inundações quanto para deslizamentos. Em relação às três regiões sulistas, 29% dos 1.191 municípios estão sob vulnerabilidade geo-hidrológica. Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina concentram as maiores parcelas afetadas.

A comparação com o planejamento oficial indica que, no eixo de adaptação, 1.942 municípios, ou 35% do total, são considerados mais suscetíveis a desastres sob o Plano Clima. Quase 9 milhões de pessoas vivem em áreas de risco nesse recorte.

O relatório cita ainda que 1.513 municípios possuem risco alto ou muito alto de inundações, enquanto 1.041 têm maior probabilidade de deslizamentos. Esses números destacam a diferença entre vulnerabilidade e capacidade adaptativa.

Francinelli Francisco, pesquisadora do Inpe, afirma que o Brasil como um todo não está preparado para o cenário que um super El Niño pode impor. A avaliação ressalta a necessidade de ações de infraestrutura para atenuar impactos futuros.

O governo federal aponta ações de prevenção integradas no Plano Clima, com sistemas de alerta, monitoramento e obras estruturantes. O programa Novo PAC reserva mais de R$ 620 bilhões para cidades, porém com foco principal em áreas urbanas, saneamento e transporte.

Para contenção de encostas e drenagem, o Novo PAC destinou apenas cerca de R$ 22 bilhões, com R$ 3,8 bilhões de obras já concluídas até março. A gestão sustenta que estados e municípios são responsáveis pela execução dessas obras.

O governo afirma ter atuado em emergências anteriores, como as tragédias no Rio Grande do Sul e em Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais. Também destaca que há mais de R$ 3 bilhões disponíveis para apresentação de projetos pelos entes federados.

O atual calendário climático indica que o El Niño se instala gradualmente, e seus impactos dependerão da atuação de outros fenômenos climáticos. O debate público continua sobre a necessidade de acelerar obras de prevenção e adaptação.

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