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Mortes de leopardos no Sri Lanka ocorrem onde humanos convivem com felinos

Leopardos no Sri Lanka morrem principalmente nas áreas de chá; 164 mortes entre 2008 e 2024, com arames responsáveis por 62,3% das fatalidades

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  • Estudo sobre 17 anos mostra que quase quarenta por cento das mortes de leopardos no Sri Lanka ocorreram no distrito de Nuwara Eliya, que representa apenas quatro vírgula quatro por cento da área de ocorrência da espécie.
  • Entre 2008 e 2024 foram documentadas cento e sessenta e quatro mortes de leopardos causadas por humanos; a maioria era de machos adultos (oitenta e sete vírgula três por cento), sendo sessenta e oito vírgula quatro por cento desse grupo homens.
  • Com menos de mil leopardos maduros, as mortes de adultos preocupam a sobrevivência da espécie, já que esses indivíduos mantêm territórios grandes e se reproduzem.
  • Arames armadilhados foram responsáveis por sessenta e dois vírgula três por cento das mortes em casos com causa conhecida, sendo a maior ameaça à sobrevivência do leopardo do Sri Lanka.
  • A conservação mostra que muitos leopardos vivem fora de áreas protegidas; há ênfase em manter habitat, conectividade ambiental e presas, além de participação internacional pela Aliança Internacional dos Grandes Felinos (IBCA).

Sri Lanka registra alta mortalidade de leopardos fora de áreas protegidas, conforme estudo

Um estudo recente que analisou 17 anos de registros de mortalidade de leopardos na ilha revelou que quase 40% das mortes ocorreram em um único distrito, Nuwara Eliya, na região central, que representa apenas 4,4% da área estimada ocupada pela espécie. Os dados contemplam 164 óbitos causados pelo homem entre 2008 e 2024.

A maior parte das vítimas são adultos, com 87,3% das mortes nessa faixa etária e, entre eles, 68,4% são do sexo masculino. Com menos de 1.000 leopardos adultos estimados, as mortes de indivíduos reprodutores levantam preocupações sobre a viabilidade a longo prazo da população, segundo o estudo.

A pesquisa criou um banco de dados de mortalidades causadas pelo homem em todo o país, combinando investigações de campo com registros oficiais. Informantes primários incluíram agentes da DWC, veterinários, polícia, trabalhadores de chá e moradores locais; fontes secundárias reuniram documentos governamentais, imprensa e pesquisas publicadas.

A principal causa identificada foi o uso de armadilhas com arame, responsável por 62,3% das mortalidades em casos com causa determinada. Carneiam-se armadilhas ilegais ao longo de trilhas usadas por presas, o que coloca os leopardos em risco ao seguirem predadores e explorarem o mesmo trajeto usado para caça.

Antes de ampliar o foco para áreas fora de parques, a pesquisa mostra que muitos leopardos vivem em áreas de chá, assentamentos humanos e florestas fragmentadas, longe de zonas protegidas. Pesquisas anteriores já tinham indicado que as armadilhas são a principal ameaça documentada, com potencial de aumentar conforme o assentamento humano avança.

A cooperação internacional também entra na agenda. Sri Lanka ingressou na IBCA, aliança dedicada à conservação de grandes felinos, para fortalecer pesquisas, prevenção de crimes contra a vida selvagem e conservação de habitats. O acordo envolve 26 países membros e cinco observadores.

A partir dos dados disponíveis, especialistas ressaltam que a conservação de leopardos depende de manter habitats conectados, populações de presas saudáveis e estratégias de convivência entre pessoas e felinos. A participação local e ações de fiscalização são vistas como essenciais para reduzir conflitos e mortes.

A equipe responsável pelo estudo aponta que o conjunto de dados pode subestimar o número real de mortalidades, já que nem todas as mortes são reportadas e registradas. A continuidade da vigilância e o aumento de relatos são considerados cruciais para orientar políticas públicas de proteção aos leopards.

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