- Startups comerciais, Stardust Solutions (Israel/Estados Unidos) e Make Sunsets (Estados Unidos), trabalham com geoengenharia solar, lançando aerossóis na estratosfera para refletir a luz solar e tentar reduzir o aquecimento global.
- A Stardust Solutions captou cerca de 60 milhões de dólares em capital de risco; a Make Sunsets já lançou balões com dióxido de enxofre em 2022, vendendo créditos de resfriamento.
- A técnica mais estudada é a injeção de aerossóis na estratosfera (SAI), que imita o resfriamento de erupções vulcânicas; testes ao ar livre são raros e, até agora, ocorreram apenas na Rússia e no Reino Unido.
- Especialistas alertam que a SAI pode ter impactos sociais, políticos e ambientais amplos, com benefícios de resfriamento moderados e efeitos climáticos regionais imprevisíveis.
- Não há regulamentação internacional específica para a SAI; governos e sociedade civil pedem transparência, com preocupações sobre o uso privado e a falta de prestação de contas.
A medida que o aquecimento global se intensifica, cresce o interesse pela geoengenharia solar, especialmente entre privados e investidores. Empresas privadas passaram a acompanhar o tema, ainda sem regulamentação consolidada e com alto debate científico.
Dois startups comerciais surgiram nos últimos três anos: Stardust Solutions, com base em Israel e EUA, e Make Sunsets, dos EUA. A Stardust Solutions informou ter captado cerca de 60 milhões de dólares em venture capital, segundo o Heatmap News.
A discussão envolve a injeção de aerossóis na estratosfera (SAI), técnica estudada para refletir parte da luz solar e, assim, reduzir temperaturas globais. A prática imita efeitos de erupções vulcânicas que promovem resfriamento temporário da Terra.
O que está em jogo é a possibilidade de reduzir o aquecimento global, mas com impactos sociais, políticos e ambientais ainda incertos. Pesquisadores alertam que intervenções desse tipo podem gerar mudanças climáticas regionais e riscos à saúde ambiental.
A prática tem histórico limitado de testes em campo. Apenas dois testes ao ar livre, desde 2008, ocorreram, um na Rússia e outro no Reino Unido. Outros experimentos planejados foram cancelados após protestos de comunidades.
A Make Sunsets já realizou lançamentos de balões com dióxido de enxofre sobre o México e os EUA em 2022, vendendo créditos de resfriamento. Países como o México proibiram a prática em seu território, após as ações.
Especialistas questionam a segurança e a governança. Entidades como a ONG Silverlining destacam que créditos de resfriamento vendidos ainda não geram benefício climático mensurável, sobretudo por serem de pequena escala.
O papel da transparência e o debate regulatório
A entrada de capital privado sem prestação de contas preocupa cientistas. Pesquisadores destacam a necessidade de regras internacionais claras, diante de impactos potenciais e complexos.
A Stardust Solutions afirma ter desenvolvido uma nova partícula, alegando ser segura e ecologicamente compatível, porém sem detalhar os elementos. A empresa diz que resultados iniciais devem sair ainda neste ano.
Alguns especialistas lembram que até mesmo partículas consideradas seguras podem evoluir de forma a causar efeitos adversos na atmosfera inferior. Enquanto isso, não há acordo internacional específico para regular a pesquisa ou uso da SAI.
A depender de decisões governamentais, a adoção em larga escala exigiria monitoramento contínuo de décadas, com liberação constante de aerossóis. A discussão permanece centralizada em evidências científicas, governança e responsabilidade pública.
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