- A nicotina voltou a circular entre jovens com promessas de foco, produtividade e desempenho mental, em sachês, cigarros eletrônicos e adesivos.
- A OMS informou expansão global desse mercado: mais de 23 bilhões de unidades vendidas em 2024, com gasto próximo de US$ 7 bilhões em 2025.
- Há cerca de cento e sessenta países sem regulamentação específica para sachês de nicotina, enquanto quinze não permitem a venda e Trinta e Dois regulam de alguma forma.
- A nicotina pode causar dependência rápida e impactos à saúde, incluindo efeitos no sistema cardiovascular e respiratório, além de riscos como a lesão pulmonar associada a cigarros eletrônicos (EVALI).
- Pesquisas sugerem que o uso para melhorar foco pode haver sensação transitória de melhora, mas não benefício persistente; no Brasil, há proibição de cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido.
Na Organização Mundial da Saúde (OMS) houve novo alerta sobre a expansão de nicotina em sachês, cigarros eletrônicos e adesivos, com foco em anúncios voltados a jovens e risco de dependência. O tema é a promoção de foco, produtividade e desempenho mental entre adolescentes e adultos jovens.
A OMS destacou que, em 2024, as vendas no varejo desses produtos ultrapassaram 23 bilhões de unidades, com o mercado global estimado em quase US$ 7 bilhões para 2025. A entidade ressalta rápida disseminação sem regulamentação adequada em muitos países.
Cobao da OMS aponta que cerca de 160 países não possuem regulamentação específica para sachês de nicotina. Entre eles, 16 proíbem a venda e 32 aplicam alguma norma. Embalagens discretas e sabores adocicados ajudam a reduzir a percepção de risco entre jovens.
Além de sachês, a nicotina aparece em cigarros eletrônicos, tabaco aquecido, adesivos e gomas usados para parar de fumar, mas com uso desviante para fins de foco ou controle de apetite em redes sociais. Assim, o marketing se alinha a promessa de desempenho.
A substância atua rapidamente no cérebro ao ligar-se a receptores nicotínicos, liberando dopamina e gerando sensação de prazer. A dependência pode moldar a rotina e gerar ansiedade diante de restrições de consumo.
Promessa de desempenho
Pesquisas sobre uso para foco já mostraram efeitos modestos em testes de atenção e memória, mas não sugerem benefício sustentável. Estudos indicam que a repetição do uso pode reduzir a eficácia e aumentar a dependência, prejudicando a performance.
A terapia de reposição de nicotina, conforme revisão da Cochrane, tem objetivo primary de ajudar quem tenta abandonar o tabaco, aumentando as chances de cessar o uso. Não há evidência de benefício claro para desempenho psicológico.
A indústria tem historicamente associado a nicotina a técnicas de melhoria de foco em ambientes de trabalho. Pesquisadores apontam que o apelo estético dos produtos modernos facilita a aceitação entre jovens.
Riscos à saúde
Entre os riscos, estão alterações cardiovasculares, como elevação da frequência cardíaca e pressão arterial. Em uso inalatório, surgem ainda irritação respiratória, tosse e risco de doenças pulmonares, como asma e DPOC.
Casos de lesão pulmonar associada a cigarros eletrônicos ganharam atenção nos EUA em 2019, com dezenas de óbitos registrados. Pesquisas de 2025 sugerem ligações entre o uso de cigarro eletrônico e problemas respiratórios, além de possíveis impactos cardiometabólicos a longo prazo.
A OMS reforça a necessidade de pesquisas longitudinais sobre sachês e devices, para entender impactos de dose, duração e exposição passiva. O objetivo é orientar políticas públicas e regulações mais eficazes.
Regulação e políticas
No Brasil, a venda e propaganda de cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido são proibidas pela RDC nº 855/2024 da Anvisa. A norma também prevê fiscalização e ações educativas para reduzir o uso entre jovens.
No exterior, países como o Reino Unido adotaram medidas mais abrangentes, restringindo publicidade, sabores e características de dispositivos para reduzir o acesso a jovens. A discussão sobre regras mais duras segue em diferentes fronteiras.
Especialistas destacam o papel das políticas públicas na percepção de risco. A médica Ana Natividade avalia que a indústria busca reinventar formatos para driblar regulações existentes, mantendo a nicotina presente em múltiplas formas.
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