- Na Índia, pessoas são contratadas para gravar tarefas diárias com câmeras presas ao corpo para ensinar IA a cozinhar, dobrar roupas e organizar objetos; os dados ajudam empresas de tecnologia.
- Os trabalhadores recebem cerca de dois dólares por hora, trabalhando em casa, fábricas ou estúdios, com monitoramento eletrônico para garantir fidelidade das ações.
- Um exemplo é a jovem Nagireddy Sriramyachandra, de vinte e cinco anos, que grava a própria rotina doméstica; outra profissional, identificada apenas como Rani N., faz dezenas de vídeos por dia dobrando toalhas.
- Empresas como a Objectways atuam contratando esse serviço, com clientes de grandes corporações interessadas em robôs humanoides para diversas tarefas; especialistas consideram o setor um dos mais promissores para as próximas décadas, apesar da remuneração baixa e da repetitividade.
- Há expectativa de expansão do mercado, mas também incertezas sobre a continuidade desses empregos, já que sistemas treinados podem reduzir a necessidade de coleta de dados; defesa da colaboração homem-máquina ficar à distância é citada, com exemplos de controle remoto de robôs em outros países.
Na Índia, milhares de pessoas atuam como anotadores de dados para treinar robôs com IA, registrando tarefas cotidianas. O objetivo é ensinar máquinas a reproduzir ações humanas com maior fidelidade. A informação foi veiculada pela AFP em 12 de junho.
Os trabalhadores utilizam câmeras presas à cabeça, sensores de movimento e outros dispositivos para capturar movimentos de atividades como cortar frutas, dobrar roupas, cozinhar e organizar objetos. Os dados alimentam empresas de tecnologia que desenvolvem robôs domésticos e industriais.
Entre os participantes está Nagireddy Sriramyachandra, de 25 anos, que grava a própria rotina e envia os registros a companhias especializadas. Pela tarefa, ela recebe cerca de duas dólares por hora, pouco mais de 10 reais, segundo a agência.
O trabalho ocorre em casas, fábricas, escritórios e estúdios montados para esse fim. Durante as gravações, sistemas eletrônicos monitoram os movimentos e sinalizam falhas de registro para assegurar qualidade dos dados.
A estudante de engenharia Rani N. comenta que produz dezenas de vídeos por dia ao dobrar toalhas. Ela afirma que, apesar de aceitável, a atuação é marcada pela sensação de estar constantemente sob observação.
Dependência de tecnologia e aplicações
Em várias salas, equipes organizam objetos para que sensores de profundidade capturem formas, posições e movimentos com alta fidelidade. Embora IA gere grandes volumes de dados digitais, reproduzir comportamentos físicos é um desafio técnico relevante.
Empresas como a Objectways reportam clientes de grande porte interessados em robôs capazes de executar tarefas específicas, desde preparo de alimentos até manipulação de produtos em ambientes industriais. A demanda por dados está ligada à esperança de expandir o mercado de robôs humanoides.
Apesar das oportunidades, a remuneração relativamente baixa e a natureza repetitiva das atividades geram questionamentos sobre qualidade e sustentabilidade desses empregos. Especialistas destacam a fragilidade do modelo diante de avanços que reduzam a necessidade de anotação humana.
Perspectivas futuras
A indústria cresce em meio a projeções ambiciosas. O Morgan Stanley estima que mais de um bilhão de robôs humanoides poderia estar em operação até 2050, o que impulsiona investimentos e a busca por dados cada vez mais precisos.
Defensores da IA ressaltam que colaboração entre pessoas e máquinas pode se manter, sem substituição total de empregos. A ideia é que trabalhadores controlem ou supervisionem robôs a distância, conforme o andamento das tecnologias.
Entre na conversa da comunidade