- Estudo da Universidade Columbia monitorou carvalhos em 137 áreas nos Estados Unidos e encontrou descompasso entre a absorção de carbono e a geração de nova madeira.
- Fotossíntese continua ocorrendo mesmo após o crescimento das estruturas da árvore ser interrompido, o que reduz a certeza de que mais fotossíntese implica em mais crescimento.
- No leste dos Estados Unidos, o crescimento ocorreu de maio a julho, mas a fotossíntese seguiu até outubro; aproximadamente 36% do carbono absorvido no ano foi capturado após o fim do crescimento.
- Na Califórnia, o padrão foi similar: crescimento de dezembro a abril, fim do crescimento em agosto, e cerca de 26% da absorção anual de carbono ocorreu depois.
- Os resultados sugerem que projeções de árvores maiores e maior armazenamento de carbono podem precisar de revisões, já que parte do carbono pode ir para folhas, raízes ou manter amido, em vez de ficar na madeira.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia, aponta que as florestas podem armazenar menos carbono do que projetado. O trabalho foi publicado na revista Science Advances e questiona a relação entre fotossíntese e crescimento das árvores.
A pesquisa acompanhou carvalhos em 137 áreas dos EUA, usando satélites, sensores nos troncos e registros de anéis de crescimento. Os dados mostram descompasso entre absorção de CO₂ e formação de madeira.
Os resultados indicam que, mesmo com fotossíntese ativa, o crescimento dos troncos pode cessar. Em média, 36% do carbono captado no ano ocorreu após o fim do crescimento no leste do país. Na Califórnia, foi de 26%.
A explicação envolve a disponibilidade de água. Em períodos quentes e secos, a pressão para expandir tecidos cai, suspendendo o crescimento, mas a fotossíntese continua, ainda que mais lentamente.
Essa dissociação implica que parte do carbono não fica na madeira de longo prazo, podendo ir para folhas, raízes ou armazenar amido. O carbono da madeira tende a permanecer por décadas ou séculos.
Os autores sugerem que modelos que projetam árvores maiores e maior capacidade de armazenamento sob CO₂ elevado devem ser revisados. O estudo também aponta maior diferença entre fotossíntese e crescimento em anos úmidos e secos.
Pesquisadores já estudam se o mesmo comportamento ocorre em outras espécies e ecossistemas. O objetivo é refinar modelos que estimam o papel das florestas na mitigação do aquecimento global.
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