- Em 2025, a água disponível na superfície da Amazônia voltou ao normal, após dois anos críticos, ficando 2,6% acima da média histórica.
- A distribuição da água foi irregular: 20 bacias ficaram abaixo da média em 2025, incluindo a do rio Negro e a sub-bacia do Trombetas.
- No Brasil, a superfície de água em 2025 ficou 5,3% acima da média, somando 182 mil km², mas a área está em queda frente ao histórico das últimas quatro décadas.
- No Pantanal, a evolução de 2025 foi de menos água do que o normal em todos os meses, mas o total de água ficou 34% acima do período anterior, somando 6.790 km².
- Um El Niño, com intensidade ainda incerta, pode agravar a seca em 2026, especialmente na Amazônia e no Pantanal, somando-se ao aquecimento global.
Amazônia volta a ter água disponível na superfície dentro da normalidade em 2025, segundo o MapBiomas Água. A série de monitoramento aponta recuperação após dois anos críticos de seca, que impactaram comunidades ribeirinhas, fauna e incêndios.
Acompanhando o retorno das chuvas, a superfície de água no bioma ficou 2,6% acima da média histórica em 2025. No entanto, a distribuição do volume não foi igual em todas as basins, o que eleva o cuidado com áreas mais vulneráveis.
Algumas bacias ficaram acima da média, mas 20 ficaram abaixo, mesmo com precipitação normal, aponta Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e integrante do MapBiomas. Entre elas, o rio Negro e a subbacia Trombetas, no Pará.
Panorâmica da Amazônia
No quadro nacional, a superfície de água somou 182 mil km² em 2025, 5,3% acima da média. Houve ganho de 10 mil km² em relação a 2024, mas a área permanece em tendência de queda frente aos dados das últimas quatro décadas.
A maior parte da água está na Amazônia, responsável por 61% da cobertura hídrica nacional. Outros biomas também registraram leves altas, como Mata Atlântica (+0,4%), Cerrado (+0,4%) e Caatinga (+0,5%).
Pantanal e impactos do El Niño
No Pantanal, a situação em 2025 foi de menor apoio hídrico, com todos os meses com água abaixo do normal. Mesmo assim, o total de 6790 km² alagados em 2025 ficou 34% acima de 2024, amenizando parte do impacto da seca histórica.
O funcionamento do pulso de inundação do Pantanal depende de chuvas enviadas pela Amazônia aos planaltos da região. O rio Paraguai, com mais de 2.500 km, é determinante para a extensão das áreas alagadas.
Perspectivas e riscos
O MapBiomas aponta que a água antrópica cresce, sobretudo em pequenos reservatórios na Amazônia, refletindo o avanço de desmatamento. Bebedouros, represas rurais e hidrelétricas aparecem entre as fontes de contribuição hídrica humana.
Com El Niño potencialmente mais intenso em 2026, espera-se aumento da seca no Norte e Nordeste, além de efeitos no Pantanal, com chuvas irregulares e maior vulnerabilidade a incêndios.
A climatologista Karina Bruno Lima ressalta que o El Niño se soma ao aquecimento global, elevando temperaturas e eventos extremos, demandando preparo público e medidas de mitigação.
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