- Escavação para expansão ferroviária perto de Binyamina, no norte de Israel, revelou duas estátuas de mármore do final do período romano.
- Os bustos são datados aproximadamente do século IV d.C. e podem representar figuras proeminentes do mundo greco‑romano; uma das peças traz a inscrição com o nome “Lycurgus.”
- As esculturas estavam de bruços dentro de um tonel de vinhos romano‑bizantinos já sem uso, o que levou os arqueólogos a acreditar que foram ocultadas para proteção ou por outro motivo ainda desconhecido.
- Pesquisadores apontam que as estátuas podem ter origem em Caesareia (a cidade histórica a cerca de dez quilômetros) e terem decorado uma vila de elite ou um local público; há ainda a hipótese de terem vindo de Caesareia.
- A equipe considera as peças excepcionalmente bem preservadas e destaca que se trata de um achado raro, com potencial de esclarecer aspectos da arte e da elite da época.
Duas estátuas de mármore romano, com cerca de 1.700 anos, surgiram dentro de uma cuba de vinho de um antigo depósito romano- bizantino, durante uma expedição arqueológica no norte de Israel. A escavação foi realizada pela Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) antes de uma expansão ferroviária perto de Binyamina. A descoberta ocorreu no início de 2023 e foi divulgada no dia 15 de junho pelo órgão.
As peças datam aproximadamente do século IV e devem representar figuras proeminentes do mundo greco-romano. Um dos bustos apresenta uma inscrição com o nome Lycurgo, cuja identificação ainda está em estudo. A AAI indica que Lycurgo pode remeter ao fundador de Esparta ou a um orador do século IV a.C., mas ressalva que a pesquisa ainda está em fases iniciais.
As esculturas foram encontradas com o rosto voltado para o chão dentro de uma cuba de vinho vazia. Segundo a AAI, os objetos foram sepultados quando o sistema de prensagem de vinho deixou de ser utilizado, e pode ter ocorrido para protegê-los. A hipótese inicial aponta para uma vinculação com uma villa de alto padrão nos arredores de Caesareia, antiga capital romana da Judeia, ou com Caesareia em si, a cerca de 10 quilômetros de distância.
Contexto e possíveis origens
O diretor da escavação, Eliran Oren, ressalta que as estátuas provavelmente retratam pessoas reais e não figuras-vídeo. Caso confirme, a descoberta pode ganhar relevância histórica, especialmente se um busto representar o fundador de Esparta. A arqueologia local já havia revelado anteriormente vestígios de um banho público próximo, o que sugere que o local possa ter sido um domínio aristocrático ligado ao porto de Caesareia.
Os pesquisadores indicam que peças com esse nível de preservação são extremamente raras no contexto israelense e global. A descoberta é descrita como única, com potencial de moldar entendimentos sobre circulação cultural e ostentação elite romana na região. As equipes destacam que o achado emergiu quase ao final da campanha de escavação.
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