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Indígenas usam saber tradicional para salvar ecossistema e percebem mudanças

Estudo aponta que saberes indígenas ajudam na conservação e no clima, mas territórios perderam dois bilhões de toneladas métricas de carbono entre 2018 e 2024

A Marcha Global Indígena pelo Clima levou milhares de pessoas às ruas de Belém do Pará, nesta segunda-feira (17), durante a COP30
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  • Estudo aponta que conhecimentos e práticas indígenas protegem clima, biodiversidade e terras, ligando cultura e conservação.
  • Entre os participantes, 100% perceberam mudanças no clima; 61% relataram impactos de indústrias extrativas nas comunidades.
  • Pesquisa ouviu 43 comunidades em seis continentes, avaliando formas tradicionais de cuidado dos territórios e vínculos com o lugar.
  • Seis em cada dez mamíferos terrestres têm mais de 10% de sua distribuição em territórios indígenas; 96% das comunidades reservam áreas para usos sagrados ou culturais e habitat da fauna.
  • No Brasil, o povo Mamoadate atua na proteção de árvores frutíferas silvestres; entre 2018 e 2024, territórios indígenas perderam 2 bilhões de toneladas métricas de carbono irrecuperável devido a mineração, expansão agrícola e incêndios, segundo o estudo.

O estudo divulgado nesta terça-feira (16) aponta que os conhecimentos, sistemas de governança e cosmovisões indígenas promovem benefícios para o clima e a biodiversidade, além de evidenciar que as culturas estão conectadas aos processos de conservação.

Entre os entrevistados, 100% das pessoas indígenas observaram mudanças no clima e nas condições meteorológicas de seus territórios. Já 61% relataram impactos diretos de indústrias extrativas, como mineração, exploração madeireira, agricultura comercial e infraestrutura.

A pesquisa foi realizada com 43 comunidades em seis continentes, em colaboração com especialistas e comunidades da África, Ásia, Américas e Pacífico. A análise mostra práticas tradicionais baseadas na observação da natureza e vínculos intergeracionais com os lugares onde vivem.

Também fica evidente que cultura e conservação estão interligadas: tradições que preservam idiomas, rituais e identidades protegem terras, água e vida silvestre. Dados indicam que 60% dos mamíferos terrestres têm mais de 10% de sua distribuição em territórios indígenas.

Cerca de 96% dos participantes afirmaram reservar terras ou águas para usos sagrados ou culturais, que servem de habitat para fauna e refúgio para florestas primárias. No Brasil, o povo Mamoadate atua protegendo árvores frutíferas silvestres e palmeiras essenciais à fauna local.

Apesar do papel fundamental, os territórios enfrentam pressões. Entre 2018 e 2024, as áreas indígenas perderam 2 bilhões de toneladas métricas de carbono irrecuperável por mineração, expansão agrícola, incêndios e outras ameaças.

O líder da Conservation International em parceria com povos indígenas afirma que o conhecimento tradicional sustenta esforços de conservação eficazes, mas ainda é pouco reconhecido e apoiado. A falta de direitos territoriais dificulta investimento na gestão e ameaça de invasões.

A reportagem destaca que, para ampliar a proteção, é essencial assegurar o marco legal sobre territórios e ampliar o respeito aos direitos das comunidades, evitando a apropriação indevida de terras. Sob supervisão de Thiago Félix

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