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O que pensa Cristián Vallejo, enólogo-chefe da melhor vinícola do mundo

Stonevik, vinho natural envelhecido em ânforas, revela o novo caminho da Vik ao unir terroir local e energia da terra

Cristián Vallejo, enólogo chefe da Vik, no local das ânforas de argila que guardam o vinho Stonevik
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  • Stonevik é o rótulo mais recente da Viña Vik, envelhecido em ânforas de argila enterradas em uma área a cerca de mil metros de altitude no Chile, com oito meses de maturação.
  • O vinho é produzido sem filtração, com mínima intervenção, e a primeira safra, de 2023, traz 77% Cabernet Franc, 19% Cabernet Sauvignon e 4% Carménère, sendo vendida por R$ 1.100 no e-commerce brasileiro.
  • A safra de 2024 é um blend de 74% Cabernet Franc, 21% Cabernet Sauvignon e 5% Carménère, proveniente de 13 ânforas enterradas no local; o processo envolve fermentação malolática em barricas de carvalho especialmente tostadas.
  • A Vik, eleita a melhor vinícola do mundo em 2025 pelo ranking The World’s 50 Best Vineyards, atua com projetos como barroir, amphoir e fleuroir, buscando vínculos com o terroir local e menor intervenção.
  • O Brasil é o principal mercado consumidor da Vik, respondendo por cerca de trinta por cento das vendas, com a vinícola também explorando vinhos brancos e planos de expandir o portfólio para públicos jovens e novas rochas de terroir.

O enólogo-chefe Cristián Vallejo apresenta o Stonevik, vinho natural amadurecido em ânforas enterradas, na Viña Vik, eleita a melhor vinícola do mundo em 2025 pelo ranking The World’s 50 Best Vineyards. O local fica a 900 metros de altitude, em Millahue, Vale do Cachapoal, Chile.

Vallejo conduz a visita a um espaço ao ar livre onde ânforas de argila guardam o Stonevik. O entorno é descrito como um círculo de árvores, ambiente que o enólogo associa a um pulso energético da Terra, uma característica que guia o processo do vinho.

O histórico da Vik traz o perfil do enólogo. Vallejo atua na vinícola desde 2007, com experiência em Bordeaux, Napa Valley, Itália e Espanha. A visão é combinar rigor técnico com a liberdade típica do Novo Mundo.

Em 2004, Alexander Vik e Carrie Vik, empresários norugueses, criaram a Viña Vik após percorrer a América do Sul. A vinícola iniciou suas atividades em Millahue, a duas horas de Santiago, e hoje produz cerca de 800 mil garrafas por ano em 70 países.

No Brasil, o principal mercado consumidor representa cerca de 30% das vendas, com rótulos como Milla Calla e La Piu Belle. A Vik planeja abrir um vinhedo e um hotel no interior de São Paulo para atender à demanda local.

Sob a batuta de Vallejo, a Vik desenvolveu conceitos como barroir, que aplica o terroir à madeira; amphoir, que resgata a vinificação em ânforas locais; e fleuroir, com leveduras nativas na fermentação. O Stonevik é um marco dessa filosofia.

Stonevik firma o caminho da vinícola ao combinar envelhecimento em ânforas com fermentação simples e mínima intervenção. A primeira safra, 2023, é 77% Cabernet Franc, 19% Cabernet Sauvignon e 4% Carménère, com preço de R$ 1.100 no e-commerce brasileiro.

A safra 2024 apresenta 74% Cabernet Franc, 21% Cabernet Sauvignon e 5% Carménère, oriunda de 13 ânforas enterradas. O resultado, segundo Vallejo, tem estrutura de taninos similar à do Vik, porém amadurecido em menos tempo.

O ritual de captura do Stonevik acontece no solstício de verão chileno, em 21 de dezembro. As sombras ao redor das ânforas alinham-se, o vinho é retirado do subsolo e engarrafado, em um processo descrito pelo enólogo como um blend de energia da natureza.

Vallejo descreve o Stonevik como o vinho mais natural possível, sem filtração e com intervenção mínima. O objetivo é refletir o terroir local com o uso de ânforas de argila produzidas no vale.

Em relação a futuras possibilidades, Vallejo adiantou trabalhos com vinhos brancos. A Vik estuda rochas locais para tostar barricas e explorar sabores derivados do solo, buscando ampliar a oferta sem depender de madeira estrangeira.

O enólogo também sinaliza planos para um projeto voltado ao público jovem, mantendo o alto padrão de qualidade. As propostas não visam apenas o mercado de colecionadores, mas também consumidores que buscam vinhos de identidade brasileira e chilena combinadas.

Em entrevista, Vallejo reforça que o destaque do branco está ligado a variações de solo, rochas com giz e um microclima específico. As próximas receitas envolvem quatro variedades brancas em fermentações distintas para formar um quarteto de vinhos.

Questionado sobre o maior equívoco sobre o vinho chileno, ele cita a ideia de que Carménère é verde e que vinhos de qualidade não chegam a preços elevados. Para ele, vinhos bem feitos podem alcançar valorização e reconhecimento global.

Sobre o alcance internacional, Vallejo afirma que o Brasil está aberto a novidades e que a Vik, com prêmios e presença no segmento de luxo, ajuda a romper barreiras de nacionalidade. O consumidor brasileiro demonstra interesse em jarros de qualidade e inovação.

Ao final, Vallejo comenta que, embora tenha aprendido com referências clássicas de Bordeaux, o objetivo é manter a identidade Vik. O enólogo descreve o vinho como um poema da natureza interpretado pela criatividade humana, uma arte que dialoga com todos os sentidos.

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