- Brasil pode ganhar peso na disputa entre EUA e China por terras raras, com estimativas de 15% a 20% das reservas globais, ficando atrás apenas da China.
- A China hoje domina a produção mundial, respondendo por cerca de 70% do processamento e da oferta de terras raras.
- Governos e investidores veem o potencial brasileiro como forma de reduzir a dependência de Pequim e abastecer cadeias globais.
- O desafio não é apenas mineração: é formar uma cadeia produtiva, atrair investimentos e alinhar-se diplomaticamente com Washington.
- O caminho envolve ampliar exportações, infraestrutura e acordos estratégicos para transformar o potencial em valor econômico.
Nos últimos anos, a disputa entre Estados Unidos e China migrou de tarifas e tecnologia para terras raras, minerais estratégicos usados em eletrônicos, defesa, veículos elétricos, satélites, turbinas eólicas e IA. No centro da rivalidade está o controle da cadeia produtiva.
O tema ganhou relevância global pela importância dessas reservas e pelo impacto ambiental da extração e processamento. A China domina cerca de 70% da produção mundial e concentra grande parte da capacidade de refino, controle que gera vulnerabilidade para parceiros.
Investidores destacam que a dependência dos EUA dessas commodities é um risco crescente na guerra comercial com Pequim, levando Washington a buscar autossuficiência tecnológica e cadeias produtivas alternativas.
A tecnologia, defesa e IA dependem de terras raras. Componentes magnéticos, ópticos e eletrônicos essenciais não possuem substitutos simples, o que aumenta a sensibilidade de cadeias produtivas estratégicas a choques de oferta.
Nos EUA, o Pentágono financia projetos de reciclagem, refino e processamento em território nacional e em aliados para reduzir a exposição à China e manter autonomia tecnológica.
Brasil como peça-chave
O Brasil surge como um polo de interesse internacional, com reservas estimadas entre 15% e 20% das terras raras globais, atrás apenas da China. A produção local ainda é baixa, mas há potencial de expansão.
Especialistas ressaltam que, em uma disputa global, o Brasil pode atrair investimentos, ampliar exportações e tornar-se fornecedor relevante para cadeias globais de suprimento.
Para transformar esse potencial em influência econômica, há barreiras diplomáticas a superar. O país precisaria alinhar-se de forma mais próxima a Washington, para evitar ser visto como aliado preferencial de Pequim.
Ou seja, a estratégia do Brasil envolve não apenas mineração, mas também posicionamento político e relações internacionais. O caminho para o papel central exige coordenação com aliados e clareza de objetivos estratégicos.
À medida que EUA e China disputam recursos críticos, o Brasil passa a ocupar posição cada vez mais relevante no tabuleiro geopolítico, com foco em transformar reservas em investimentos, indústria e valor agregado.
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