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Suriname não será salvo pela soja

Suriname não deve seguir o modelo exportador de soja e pecuária; ameaça florestas, rios e a subsistência local, exigindo participação comunitária e foco na segurança alimentar

Drone view of Chiquitano forest recently deforested on the edge of the Bolivian Amazon for soy production. Photo by Rhett A. Butler for Mongabay.
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  • Suriname é alertado de promessas de agronegócio estrangeiro que prometem modernizar a agricultura, gerar empregos e trazer prosperidade.
  • Esse modelo, visto em várias partes da América tropical, costuma desmatamento, poluição de rios e perda de controle local sobre terras e recursos.
  • Recomenda-se fortalecer a segurança alimentar, apoiar produtores locais, proteger rios e florestas e ouvir as comunidades mais impactadas.
  • Os riscos ambientais incluem uso intensivo de agroquímicos em monocultivos, que podem contaminar água e afetar a pesca, principal fonte de proteína para muitos.
  • Há preocupações de soberania: grandes concessões a investidores estrangeiros podem deslocar decisões nacionais, mantendo ativos estratégicos de forma mais controlada e benéfica internamente.

Suriname não deve apostar em soja e pecuária de larga escala para modernizar a agricultura. A advertência vem de Mark Plotkin, etnobotânico e presidente da The Amazon Conservation Team, em artigo de opinião.

Segundo o autor, modelos agricultores exportadores já fracassaram em várias regiões da América tropical, com desmatamento, poluição de rios e menor benefício para comunidades locais. Em Suriname, há risco de perder controle sobre terras e recursos.

Paralelamente, o texto aponta que empregos gerados por soja e pecuária industrial costumam ser temporários, mal pagos e muitas vezes ocupados por trabalhadores de fora. A maior parte da mão de obra fica na agricultura familiar, pesca e atividades florestais.

Riscos ambientais e soberania

O artigo destaca impactos de grandes monoculturas: uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes que atingem rios e a principal fonte de proteína local, a pesca. A expansão de infraestrutura associada pode acelerar atividades extrativas.

Mercúrio proveniente de garimpo artesanal já contamina rios no país. A construção de estradas e assentamentos facilita novas frentes de exploração, elevando preocupações ambientais e sociais.

Além disso, o texto ressalta questões de soberania. Concessões de terras a investidores estrangeiros costumam reduzir o poder decisório nacional sobre uso da terra, mão de obra e lucros, gerando dependência de longo prazo.

Suriname ainda mantém alta cobertura florestal e cursos d’água relativamente intactos. Esses recursos são apresentados como ativos estratégicos para resiliência, segurança alimentar e identidade cultural.

Caminho recomendado

O autor admite que não há rejeição total à agricultura, mas defende fortalecER a segurança alimentar local, apoiar produtores nacionais e conservar rios e florestas. A sugestão é priorizar demanda doméstica e reduzir custos internos antes de abrir espaço a capital estrangeiro.

Antes de qualquer acordo, o texto recomenda perguntas-chave: quem se beneficia, quem é prejudicado e o que ficará para as futuras gerações? Além disso, é essencial ouvir as comunidades que dependem dos recursos hídricos e florestais.

Fonte citada pelo autor permanece como ponto de vista individual; a posição não representa, necessariamente, a instituição Mongabay.

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