- Christine Kouman, cientista ambiental e cofundadora da ONG EBURCO, estuda há mais de dez anos o crocodilo-orelado de focinho delgado em Taï National Park, Costa do Marfim.
- O crocodilo é principalmente dependente de peixe, tende a não atacar pessoas e é capturado com cuidado em operações noturnas para estudo e manejo seguro.
- Sua pesquisa de Ph.D. revelou que ele tem menor área de vida que crocodilos verdadeiros, prefere micro-habitats como rochas, troncos caídos e vegetação ribeirinha, e apresenta comportamento pouco territorial.
- Foram coletados 26 indivíduos com etiquetas; os crocodilos anões ocupam canais menores, enquanto o focinho delgado permanece no rio principal. Taï é considerado um paraíso para a espécie, desde que a floresta permaneça bem protegida.
- A água do rio Hana ficou mais turva desde 2019 devido à sedimentação por mineração artesanal, destacando a necessidade de conservação da floresta e do ecossistema aquático para a sobrevivência do crocodilo.
O Taï National Park, em Côte d’Ivoire, é o principal reduto do crocodilo-de-marfim-da-floresta africana, conhecido como slender-snouted crocodile.A pesquisadora Christine Kouman, especialista em conservação, atua há mais de uma década no Parque em parceria com autoridades locais para proteger a espécie e fortalecer o valor da área como habitat.
Kouman é cofundadora da ONG EBURCO, que trabalha com a proteção da fauna e com a divulgação do crocodilo. O projeto Mecistops, apoiado pela Tropical Conservation Institute, da Florida International University, sustenta levantamentos e ações de conservação na região.
Na última expedição, a pesquisadora conduziu trabalho noturno na Hana River, principal afluente do parque, reunindo dados sobre o comportamento, ecologia espacial e interação entre indivíduos. O material resultante alimenta a compreensão da espécie.
Ecologia, comportamento e manejo
A pesquisadora descreve o crocodilo como relativamente dócil, alimentando-se majoritariamente de peixes. Ao longo de mais de 10 anos de estudo, Kouman confirma que a espécie não costuma atacar pessoas e que o manejo de indivíduos é possível dentro de protocolos de segurança.
Catching de animais é desafiador: há resistência inicial, seguida de exaustão que facilita a contenção. O maior exemplar já capturado tinha quase 2,85 metros, utilizando vara com laço como ferramenta.
As atividades de campo ocorrem em áreas remotas, com acampamento improvisado e transporte de todo o equipamento. Os trabalhos são realizados principalmente à noite, reduzindo riscos de acidente e estressar a fauna local.
Em seu PhD, Kouman analisou ecologia espacial, uso de micro-habitats e interações sociais entre sexos e classes de tamanho. Ela aponta que a espécie possui área de vida menor que crocodilos verdadeiros maiores, mas maior que o false gharial, com predileção por rochas e troncos caídos para se tomar sol.
Os animais costumam permanecer próximos à vegetação e às áreas de assoreamento que atraem presas, o que mostra adaptação ao ambiente de floresta-rio. A convivência entre indivíduos é pouco conflituosa, com uso compartilhado de áreas sem forte territorialidade.
Conservação e impactos ambientais
Kouman pianistou que 26 indivíduos foram marcados com tags de rádio VHF, o que permitiu acompanhar relações com jacarés-dwarfs que também habitam Taï. Os resultados indicam que os crocodilos-fantas foram observados principalmente no rio principal, enquanto os pequenos aquáticos ocupam áreas de streams.
A pesquisadora destaca que a qualidade da água da Hana River mudou desde o início do estudo, tornando-se turva e imprópria para consumo. A sedimentação é associada a atividades de mineração artesanal próximo à fronteira leste do parque, às vezes dentro dele.
Para a conservação, a proteção do entorno da floresta é crucial. A espécie depende de uma cobertura florestal intacta, que sustenta a disponibilidade de habitats para a caça e para o descanso, além de manter a integridade do ecossistema aquático que sustenta as presas.
Kouman reforça a importância de Taï como refúgio para o crocodilo e afirma que a preservação do parque e de suas florestas é essencial para a sobrevivência da espécie na região. Sem o manejo adequado, a presença do slender-snouted crocodile corre risco de desaparecimento em áreas anteriormente habitadas.
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