- 76% das pessoas pesquisadas usavam ao menos um suplemento regularmente, e quase um quinto tomava quatro ou mais diariamente.
- O uso excessivo de suplementos tem levado a casos de problemas no fígado, rins e sistema gastrointestinal segundo profissionais ouvidos pela BBC.
- No caso de Ginger Smith, nos EUA, o uso diário de várias substâncias levou à formação de um grande cálculo renal que exigiu cirurgia, com custo alto.
- Pesquisas sugerem que 20% dos casos de dano hepático estão ligados à mistura de suplementos à base de ervas e dietéticos; alguns ingredientes podem ser tóxicos em doses elevadas.
- Especialistas ressaltam que mais nem sempre é melhor: priorizar alimentação, considerar apenas suplementos quando há necessidade comprovada, checar rótulos e interações com medicamentos.
A multiplicidade de suplementos ingeridos diariamente pode mostrar efeitos adversos, segundo especialistas. Um levantamento recente revelou que a maioria das pessoas consome algo além da alimentação regular, com potencial de impactos na saúde a longo prazo.
Dados de uma pesquisa da organização de consumidores Which? apontam que 76% dos entrevistados tomam pelo menos um suplemento regularmente, incluindo vitaminas, minerais, ômega-3, probióticos e ervas. Quase 20% consomem quatro ou mais itens diariamente.
Especialistas afirmam que o uso indiscriminado de suplementos pode, em alguns casos, causar danos ao fígado, rins e sistema gastrointestinal. Médicos relatam aumento no número de pacientes com complicações ligadas a misturas de produtos.
Ginger Smith, de Seattle, relata que iniciou o uso de suplementos há três anos, recebidos como feedback de marcas e influenciadores. Ela descreve ter feito uso intensivo de vitaminas C e D, curcumina e suplementos de retenção de líquidos, entre outros.
Após apresentar dores lombares intensas, a paciente realizou exames e descobriu um cálculo renal de 2 a 3 centímetros, resultando em cirurgia para remoção. A intervenção, segundo ela, custou cerca de 6 mil dólares, valor cobrado pelo seguro.
Especialistas em gastroenterologia citados pela BBC dizem observar casos de danos ao fígado associados a suplementos à base de ervas. O médico Pedro de Maria Pallares, do Hospital Universitario La Paz, em Madri, destaca a necessidade de eliminar outras causas antes de identificar a suplementação como fator causador.
Estudos norte-americanos indicam que cerca de 20% dos casos de lesão hepática estão ligados ao uso simultâneo de ervas e suplementos dietéticos. Substâncias como vitamina A, ashwagandha, glutamina e extrato de chá verde aparecem entre as mais tóxicas em doses elevadas.
Para especialistas, a sobreposição de ingredientes pode levar a dosagens excessivas ou interações com medicamentos prescritos. Athenas como vitamina B6 em altas quantidades podem causar danos nervosos com uso prolongado, e fenótipo de absorção pode reduzir quando vários minerais são tomados juntos.
A British Liver Trust alerta para a escassez de dados no Reino Unido, mas diz observar casos de lesão hepática associados à sobredose de suplementos. A instituição recomenda avaliar se os benefícios compensam os riscos.
Professores da Royal College of General Practitioners ressaltam que nem sempre mais é melhor. Eles sugerem checar rótulos, evitar duplicidade de ingredientes e consultar um médico antes de iniciar qualquer regime, sobretudo se houver medicação em uso.
Ginger hoje está recuperando-se plenamente e retornou ao trabalho. Ela afirma ter reduzido para um único multivitamínico diário e manter a alimentação equilibrada como base para a saúde, sem depender de várias soluções em pó ou cápsulas.
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