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Rewilding Rio: conservacionistas repovoam floresta vazia, espécie por espécie

Reintrodução de espécies em Tijuca impulsiona a recuperação da floresta urbana, combate a síndrome do empty forest e amplia a dispersão de sementes

Rewilding Rio: Conservationists restock an ‘empty forest,’ one species at a time
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  • O projeto Refauna reintroduz animais em Tijuca, perto do Rio de Janeiro, para combater o “empty forest syndrome” e devolver dispersores de sementes ao ecossistema.
  • Em janeiro de 2026, foram devolvidos ao parque macacos-prego-de cauda amarela, cutia-do-leste, tartarugas de patas amarelas e ararás-azuis e amarelos, entre outros.
  • As araras-azuis-e-amarelas chegaram em 7 de janeiro, mas três exemplares precisaram ser recapturados após se distanciarem do cercado de aclimatação.
  • Históricamente, Tijuca teve quilômetros de floresta restaurada desde o século XIX, mas a fauna sumiu há décadas; toucans-canarinhos já haviam sido reintroduzidos em 1970 e mostraram papel crucial na dispersão de sementes.
  • O projeto envolve ICMBio e grupos locais, monitora as espécies reintroduzidas e planeja ampliar a lista de retornos, buscando espécies cada vez mais dependentes de dispersão animal.

O projeto Rewilding Rio, em Tijuca, próximo a Rio de Janeiro, continua a devolver fauna ao que era um “bosque vazio”. Em 2008, a bióloga Alexandra Pires mostrou que agoutis eram importantes para a recuperação de espécies vegetais, mas no parque eles simplesmente não existiam. Hoje, visitantes podem ver agoutis de rabo vermelho, alongados por macacos-ruídos e tartarugas-amarelas, resultado do trabalho da Refauna, com apoio do ICMBio.

A iniciativa, liderada por Pires como diretora científica, busca reintroduzir animais que dispersam sementes e ajudam a manter a floresta em equilíbrio. O retorno de espécies como o macaco-barrigudo e as tartarugas já ocorreu há anos, com monitoramento constante para assegurar adaptação e sobrevivência.

Macacos-azuis voltam às alturas de Tijuca

Em janeiro de 2026, as araras-azuis e amarelas passaram a integrar o recorte de fauna da região. Três fêmeas — Fernanda, Fátima e Sueli — começaram a se adaptar, após meses de seleção e treino. Em seguida, houve recaptura de alguns indivíduos para ajustar o manejo, com nova rodada de treinamento humano-aversão.

Antes da liberação, a equipe verificou que as aves precisavam de maior preparo para voar entre áreas urbanas sem depender de comida suplementar. Cada arara deve receber, futuramente, um receptor de localização para facilitar o monitoramento.

Histórico e impacto da restauração

A restauração de Tijuca tem raízes históricas que remontam a 1861, quando Pedro II exigiu a expropriação de lavouras para reflorestar a região. A criação do Parque Nacional da Tijuca, em 1961, consolidou o esforço, mas a fauna demorou a retornar. Em 1970, toucas-de-bico-channel foram reintroduzidas e hoje ajudam na regeneração de várias espécies.

O trabalho atual se baseia em pesquisas que indicam que nove de cada dez plantas dependem de animais para dispersar sementes. O monitoramento continua mesmo após a liberação, com fases de aclimatação e avaliação de adaptação ao ambiente urbano da mata.

Desafios e perspectivas futuras

O programa envolve a participação de ICMBio e GEASur, ligado à UNIRIO, para educação ambiental nas comunidades ao redor do parque. A meta é ampliar a diversidade de espécies e, ao longo do tempo, avançar para animais de cadeias alimentares mais complexas, incluindo felinos.

Ao falar sobre o progresso, a liderança da Tijuca ressalta que a restauração não é simples, envolve riscos como ataques de animais domésticos, caça e colisões com linhas elétricas. Ainda assim, não rewilding não é uma opção; a equipe afirma que o objetivo é manter a floresta saudável e com maior capacidade de absorção de carbono.

Este relato mostra como a história de Tijuca se transforma de um bosque aparentemente estável em um ecossistema mais completo, com retorno gradual de espécies emblemáticas para a cidade.

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