- O estudo do World Weather Attribution aponta que a onda de calor na Europa teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas provocadas pelo homem.
- Segundo a análise, temperaturas noturnas extremas tornaram-se até 100 vezes mais prováveis do que há cerca de duas décadas, e o evento é considerado o mais severo já registrado na região.
- O Reino Unido registrou a maior temperatura já observada para o mês de junho, com impactos como mortes, interrupções no fornecimento de energia e fechamento de escolas e espaços culturais.
- Em mais de oitocentos centros urbanos europeus analisados, quarenta e cinco por cento registraram ou devem registrar altos níveis de estresse térmico até o fim de junho.
- O estudo enfatiza que, sem redução de emissões, recordes de temperatura devem ocorrer com mais frequência, e que as temperaturas noturnas dificultam a recuperação do corpo; o fenómeno El Niño não contribuiu para a intensidade da onda na Europa.
A onda de calor que atingiu a Europa nesta semana é apresentada por cientistas como “praticamente impossível” sem a influência de mudanças climáticas provocadas pelo homem. A análise é do World Weather Attribution (WWA), grupo que atribui eventos extremos ao aquecimento global.
O estudo aponta que o aquecimento global tornou as temperaturas noturnas extremas até 100 vezes mais prováveis do que há cerca de duas décadas, considerando o conjunto de eventos analisados. O episódio é visto como o mais severo já registrado na região.
O Reino Unido registrou, na quinta-feira, a maior temperatura já observada para o mês de junho, em meio à onda de calor que provocou mortes, interrupções no fornecimento de energia e fechamento de escolas e espaços culturais.
Impactos na saúde e no território
O WWA aponta que o aumento de temperaturas médias globais, impulsionado por emissões de gases de efeito estufa, elevou a média do planeta em cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, conforme a Organização Meteorológica Mundial.
Entre os mais de 800 centros urbanos analisados, 45% registraram ou devem registrar os maiores níveis de estresse térmico até o fim de junho, indicador relevante para avaliações de risco à saúde.
A análise destaca ainda a importância das temperaturas noturnas, que dificultam a recuperação do corpo humano depois de dias de calor intenso. Em regiões da França, as noites permaneceram acima de 20°C por mais de uma semana, com mínimas próximas de 30°C, caracterizando as “noites tropicais”.
Contexto climático e limitações
O estudo observa que o fenômeno El Niño, ligado a aumentos sazonais de temperatura no Pacífico, não contribuiu para a intensidade da onda de calor na Europa neste episódio. Além disso, pesquisas indicam que ondas de calor semelhantes, se ocorressem em décadas passadas, teriam sido significativamente mais frias.
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