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Coleta local do Nepal de Viagra do Himalaia sem foco ambiental, diz estudo

Estudo revela que a cobertura da mídia nepalesa sobre yarsa gunbu foca comércio e impactos sociais, com lacunas em políticas e custos ecológicos

During the peak season, residents from some of the hilly regions of Nepal move to higher grounds in search of the prized Ophiocordyceps sinensis. Photo by Manu Moudgil.
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  • O estudo analisou três mil setecentos setenta e sete termos-chave em seiscentos e oitenta e uma reportagens de sete jornais nepaleses entre 2008 e 2021 sobre o fungo caterpillar, conhecido como yarsa gunbu.
  • A cobertura destaca o comércio, as informações econômicas e os impactos da colheita, mas pouco aborda lacunas de políticas públicas e custos ecológicos.
  • Aproximadamente quarenta e um por cento das receitas de exportação de produtos não madeireiros do Nepal vêm do yarsa gunbu, e quase trezentas mil pessoas participam da colheita anualmente.
  • A matéria relaciona períodos de colheita à desertificação de vilas e escolas, mas pouco trata da gestão de acampamentos, água e saneamento para os coletores.
  • Os pesquisadores sugerem que a mídia aprofunde temas como tabus, economia política e custos ecológicos, para promover colheita sustentável e políticas públicas mais eficazes.

Desde março até junho, a colheita de yarsa gunbu, fungo Caterpillar, domina as manchetes em regiões montanhosas do Nepal. Conhecido como Viagra do Himalaia, o fungo atrai maior preço por grama do que ouro em alguns momentos. A temporada transforma vilarejos em locais vazios, com moradores buscando o fungo nas altitudes.

O estudo analisa como a mídia nepalesa aborda o tema e aponta que há maior destaque para impactos da mudança climática no ciclo de vida do fungo. Governos locais também recebem atenção, mas em menor escala quando comparados aos aspectos econômicos e de comércio.

Conduzido pelo Global Institute for Interdisciplinary Studies, o levantamento envolveu 681 matérias de sete jornais nacionais entre 2008 e 2021, com 3.777 palavras‑-chave categorizadas em oito temas. Os autores indicam lacunas na cobertura de políticas públicas, pesquisa e conservação.

A cobertura midiática e suas lacunas

A maior parte das palavras-chave tratou de impactos da colheita, como o esvaziamento de vilarejos e escolas, além do abandono de áreas agrícolas. Em seguida vieram comércio, informações, governança e colheita. Temas como desafios para colhedores e falhas políticas receberam menos destaque.

Segundo os pesquisadores, a imprensa é eficiente em noticiar volumes de coleta e transação do fungo, mas pouco aborda respostas governamentais e políticas de apoio à educação local durante as safras. Também faltam relatos sobre custos ecológicos da coleta excessiva.

O estudo ressalta ainda que a atividade envolve quase 300 mil pessoas anualmente e representa cerca de 41% das exportações nepalesas de produtos não madeireiros. O valor gera renda para governos municipais e sustenta famílias que dependem do fungo para educação e necessidades básicas.

A análise também aponta que a cobertura externa tende a enfatizar o rótulo internacional do fungo e volumes de colheita, com menos equilíbrio entre economia, política e impactos ambientais no âmbito local. Eventos de conflito e violência foram recorrentes em coberturas históricas.

Pesquisadores destacam que a imprensa precisa explorar novas abordagens, como tabus ligados ao comércio, impacto na economia política e custos ecológicos da colheita. Atrasos em políticas de manejo podem agravar danos ambientais e sociais.

À medida que a coleta cresce, a necessidade de reportagens que promovam colheita sustentável aparece como prioridade. O estudo sugere um foco maior em condições de acampamento, acesso a água potável e saneamento para os coletores, além de medidas de proteção ambiental.

O trabalho também indica que, internacionalmente, veículos costumam associar o fungo ao tema da mudança climática, refletindo preocupações com o equilíbrio entre preservação e renda local. As recomendações incluem ampliar a cobertura de políticas públicas e educação contínua para comunidades afetadas.

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