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Construtoras brasileiras deixam legado com grandes obras no exterior

Exportação de serviços de engenharia brasileira caiu após Lava Jato, com restrições do BNDES e cancelamento de obras, afetando empregos e competitividade externa

Kaseya Center, ex-FTX Arena: complexo de esportes, cultura e lazer na região central de Miami (Flórida, Estados Unidos) abriga 20 mil espectadores. Foi construído pela brasileira Odebrecht (atualmente Novonor)
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  • Construtoras brasileiras têm presença em grandes obras no exterior, com atuação em hidroelétricas na América do Sul, África, Estados Unidos e na China, incluindo consultoria na usina de Três Gargantas.
  • Entre os projetos, destacam-se a Hidrelétrica Manduriacu, no Equador; barragem Moamba Major, em Moçambique; hidroelétricas de Chaglla (Peru) e Cambambe (Angola); e a expansão do aeroporto e do terminal de Miami (EUA).
  • O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social financiou boa parte dessas exportações de serviços de engenharia, com início de atuação em 1991 e cerca de 70 obras concluídas, metade na Flórida.
  • Após a Lava Jato, as exportações diminuíram devido a financiamento mais restrito, crise de imagem e dificuldades financeiras das empreiteiras, levando a cancelamentos de projetos financiados pelo banco.
  • Entre 1998 e junho de 2019, foram emprestados US$ 10,5 bilhões, envolvendo quinze países e as maiores empresas listadas, com prazo médio de pagamento em pouco mais de onze anos.

A atuação de construtoras brasileiras no exterior é marcada por obras importantes em diversas regiões. Entre 1990 e 2010, empresas como Odebrecht e Andrade Gutierrez participaram de hidrelétricas e projetos de infraestrutura pelo mundo.

Conteúdos recentes mostram atuação relevante em hidrelétricas latino-americanas, com participação em Manduriacu, no Equador, e em Chaglla, no Peru, além de projetos em Cambambe, Angola, e Moamba Major, Moçambique. Especialistas destacam a Expertise brasileira em energia e obras de grande porte.

A maior usina do mundo, Três Gargantas, China, teve participação relevante de consultores brasileiros durante sua construção, que se iniciou no final dos anos 1990. Ouvidos no exterior costumam agradecer a colaboração, ainda que muitos desses profissionais não tenham trabalhado diretamente no empreendimento.

Financiamento e atuação no exterior

No Equador, a Andrade Gutierrez integrou o projeto de irrigação Tabacundo entre 1999 e 2002. Já a OEC registrou atuação no estádio Florida International University e na expansão de aeroporto e porto de Miami, nos Estados Unidos. Desde 1991, a empresa realizou 70 obras, com metade na Flórida.

No Atlântico, houve participação em uma estação e em um túnel de 526 metros no Metrô de Lisboa, Portugal. Durante os governos petistas, o incentivo à exportação de serviços de engenharia ganhou fôlego, com foco em países africanos lusófonos, como Angola e Moçambique.

Financiamento público e impactos setoriais

Boa parte desses projetos foi financiada pelo BNDES. A avaliação, à época, apontava aumento de empregos e expansão da indústria nacional, com exigência de conteúdo local. Após a Lava Jato, o acesso a financiamento externo ficou mais restrito, afetando exportação de serviços.

Obras com financiamento do banco foram canceladas por questões legais ou de elaboração de projetos, incluindo a linha de Metrô de Caracas. As parcelas não pagas foram ressarcidas pelo Tesouro Nacional ao BNDES, conforme destacado pela instituição.

Situação recente e panorama

Especialistas discutem que perdas estimadas em torno de 10% do total financiado podem ser compensadas por seguros ou por ganhos indiretos. O papel do BNDES na exportação de serviços de engenharia diminuiu, e a participação brasileira nesses negócios encolheu.

Historicamente, a exportação de serviços de engenharia atingiu 1,3% do total financiado pelo BNDES entre 2003 e 2018. Nos últimos anos, avanços de outros países no crédito à exportação intensificaram a competição externa.

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