Em 2024, o programa de financiamento estudantil Fies enfrenta sérios problemas, com uma taxa de inadimplência de 62% e apenas 44 mil novos contratos, uma queda drástica em relação aos anos anteriores. O Ministério da Educação (MEC) está preocupado com a baixa atratividade do programa, que já teve 733 mil contratos em 2014. Desde 2015, reformas foram feitas para restringir o acesso ao Fies, mas isso resultou em menos alunos interessados. A maioria dos estudantes que desiste do Fies faz isso ao ver os valores que precisa pagar mensalmente, o que é muito alto para quem ganha pouco. O MEC estuda mudar a forma de cobrança, tornando-a proporcional à renda do formando, e também quer oferecer mais assistência aos alunos, como ajuda com moradia e transporte. Além disso, há uma discussão sobre direcionar o Fies para quem ganha mais, enquanto os mais pobres poderiam ser encaminhados para o Programa Universidade Para Todos (Prouni), que oferece bolsas. O governo também tenta renegociar dívidas de contratos antigos, mas a situação do Fies continua crítica, com muitos alunos não se inscrevendo e as vagas não sendo preenchidas.
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) enfrenta uma crise sem precedentes em 2024, com uma taxa de inadimplência de 62% e apenas 44 mil novos contratos firmados. O cenário alarmante foi apresentado pelo Ministério da Educação (MEC) durante o Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, realizado no Rio Grande do Norte.
A taxa de inadimplência, que era de 31% em 2014, reflete a insustentabilidade do programa, que já atendeu a 2 milhões de contratos. O MEC reconhece que as reformas implementadas desde 2015 restringiram o acesso e tornaram o Fies menos atrativo para os estudantes. Em 2018, 82% das vagas eram preenchidas, enquanto em 2023, esse número caiu para apenas 39%.
Adilson de Carvalho, diretor de Políticas e Programas de Educação Superior do MEC, afirmou que o governo está buscando soluções para reverter a situação. Entre as propostas, está a mudança na forma de cobrança, que poderá ser condicionada à renda do formando. “Precisamos sentar e conversar com o setor das instituições de ensino privadas para encontrar alternativas”, disse Carvalho.
O Fies, que financia a maior parte da mensalidade de universidades privadas, enfrenta um saldo devedor total de R$ 116 bilhões. A dívida dos alunos, que inclui uma coparticipação durante o curso, é diretamente com as instituições de ensino. O MEC identificou que muitos estudantes abandonam o processo de inscrição ao ver os valores da coparticipação, indicando que a falta de capacidade financeira é um fator crítico.
Nos últimos dois anos, o governo implementou incentivos para a renegociação de débitos, resultando na repactuação de 389 mil contratos e arrecadação de R$ 800 milhões. Além disso, o MEC estuda oferecer opções de assistência, como auxílios para moradia e transporte, para atrair mais alunos.
A situação do Fies é preocupante, pois a queda na atratividade do programa pode impactar a formação de profissionais em áreas com alta demanda, como tecnologia e licenciaturas. O MEC busca reverter essa tendência, mas a implementação de novas medidas ainda não tem prazo definido.
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