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Crédito imobiliário enfrenta desafios com alta de juros e novas fontes de financiamento

Crédito imobiliário no Brasil se transforma: 40% do financiamento agora vem do mercado de capitais, enquanto a caderneta de poupança perde força.

O mercado imobiliário brasileiro enfrenta desafios significativos devido à escassez de crédito, especialmente pela diminuição da caderneta de poupança. Em 2024, o volume financiado alcançou R$ 186,7 bilhões, com 40% desse montante proveniente do mercado de capitais. Essa mudança reflete uma adaptação do setor às novas condições econômicas. A dependência da caderneta de poupança, que […]

O mercado imobiliário brasileiro enfrenta desafios significativos devido à escassez de crédito, especialmente pela diminuição da caderneta de poupança. Em 2024, o volume financiado alcançou R$ 186,7 bilhões, com 40% desse montante proveniente do mercado de capitais. Essa mudança reflete uma adaptação do setor às novas condições econômicas.

A dependência da caderneta de poupança, que sustentava o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), tem diminuído após quatro anos de saques líquidos. Sandro Gamba, ex-CEO da Gafisa e presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), destacou que o mercado se adaptou, com 40% do funding agora vindo do mercado de capitais, superando a contribuição da poupança.

O volume financiado em 2024 é o segundo maior já registrado, o que demonstra a resiliência do setor. No entanto, o custo do financiamento se aproxima da taxa Selic, o que pode impactar negativamente o crédito imobiliário. Historicamente, o crédito operava com taxas inferiores às do mercado, mas essa realidade está mudando.

Novas Diretrizes de Financiamento

Gamba prevê uma segmentação maior no uso dos recursos da poupança, priorizando operações de longo prazo para pessoas físicas. Roberto Ceratto, diretor executivo de habitação da Caixa Econômica Federal, confirmou que o foco deve ser na pessoa física, que recebeu R$ 136 bilhões dos R$ 186 bilhões financiados pelo SBPE no último ano.

As operações destinadas às construtoras devem ser cada vez mais financiadas pelo mercado de capitais. A expectativa é que a fatia da poupança destinada a esse setor diminua, refletindo a mudança nas fontes de financiamento. O cenário atual é caracterizado por baixa inadimplência e bons volumes operacionais, mas a alta de juros pode afetar o crédito em 2025.

O impacto do ciclo de alta da Selic no segundo semestre de 2023 deve começar a ser sentido nas estatísticas do setor neste ano. O mercado imobiliário brasileiro, embora desafiado, continua a se adaptar e a buscar novas fontes de financiamento para sustentar seu crescimento.

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