- O crime organizado no Brasil movimentou R$ 146,8 bilhões em 2022 com a venda irregular de combustíveis, ouro, cigarros e bebidas.
- Esse valor supera os R$ 15 bilhões do tráfico de cocaína, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
- O setor de combustíveis lidera a movimentação, com R$ 61,5 bilhões, seguido por bebidas alcoólicas (R$ 56,9 bilhões), extração de ouro (R$ 18,2 bilhões) e cigarros (R$ 10,3 bilhões).
- O promotor de Justiça Lincoln Gakiya destaca que o Primeiro Comando da Capital (PCC) atua em 13 setores da economia, utilizando empresas legítimas para misturar dinheiro do tráfico com lucros legais.
- A presença do crime organizado na economia gera evasão de impostos, competição desleal e aumenta a violência, afetando o ambiente de negócios e a segurança.
O crime organizado no Brasil, representado por facções como o PCC e o CV, movimentou R$ 146,8 bilhões em 2022 com a venda irregular de combustíveis, ouro, cigarros e bebidas, superando os R$ 15 bilhões do tráfico de cocaína. O estudo, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela a crescente diversificação das atividades ilícitas dessas organizações.
As facções começaram a explorar o mercado formal para lavar dinheiro do tráfico, mas logo perceberam que essas atividades geravam lucros significativos. O setor de combustíveis lidera a movimentação financeira, com R$ 61,5 bilhões, seguido por bebidas alcoólicas (R$ 56,9 bilhões), extração de ouro (R$ 18,2 bilhões) e cigarro (R$ 10,3 bilhões). Além disso, o estudo aponta que o crime organizado já atua em pelo menos 18 setores da economia, incluindo transporte e mercado imobiliário.
Infiltração na Economia
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco, destaca que o PCC está presente em 13 setores da economia e que suas empresas não são mais meras fachadas. “São empresas que existem e prestam serviços, mesclando dinheiro do tráfico com lucros legítimos”, afirma Gakiya. Essa infiltração gera evasão de impostos e competição desleal, afetando negativamente o ambiente de negócios.
Os crimes cibernéticos e o roubo de celulares também se destacam como fontes de renda para o crime organizado, com uma movimentação estimada em R$ 186 bilhões. O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, observa que, embora o Brasil ainda não seja o principal empregador do crime organizado, em algumas regiões, como a Amazônia, essa realidade já se aproxima.
Consequências Econômicas
A presença do crime organizado na economia formal traz diversos prejuízos, como o aumento da violência e a necessidade de reforço na segurança, elevando os custos logísticos. A executiva Maria Silvia Bastos Marques alerta que a insegurança afasta investimentos e prejudica a qualidade da mão de obra, impactando diretamente o desenvolvimento econômico do país.
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