- O setor de água e esgoto no Brasil, regulado em nível estadual, enfrenta desafios, especialmente a empresa Sabesp.
- O JPMorgan alerta sobre riscos regulatórios, como a lenta conversão de capex (capital expenditure) em RAB (base de ativos regulatória) e a resistência política a aumentos tarifários.
- A Sabesp projeta um crescimento anual composto de lucro por ação superior a 20% nos próximos três anos, com ações negociadas a aproximadamente 10 vezes o preço/lucro.
- O banco estima uma defasagem média de 1,5 ano na conversão de capex em RAB, o que pode impactar o lucro no curto prazo.
- O governo de São Paulo se comprometeu a usar recursos da privatização para subsidiar aumentos e garantir reajustes alinhados à inflação.
O setor de água e esgoto no Brasil, regulado em nível estadual, enfrenta desafios significativos, especialmente para a Sabesp (SBSP3). O JPMorgan alerta sobre riscos regulatórios que podem impactar a empresa, como a lenta conversão de capex em RAB (base de ativos regulatória) e a resistência política a aumentos tarifários.
A Sabesp projeta um crescimento anual composto (CAGR) de lucro por ação (EPS) superior a 20% nos próximos três anos, enquanto suas ações são negociadas a aproximadamente 10 vezes o preço/lucro (P/L). No entanto, essa expectativa pode ser uma “miragem”, considerando a revisão tarifária prevista para o segundo semestre de 2025. O JPMorgan destaca que, nos últimos dez anos, as revisões tarifárias foram cruciais para o desempenho das ações do setor de saneamento.
Riscos Regulatórios
Os analistas do JPMorgan identificam três principais riscos regulatórios para a Sabesp. O primeiro é a visibilidade limitada na conversão de capex em RAB, que pode atrasar o crescimento do EBITDA. O banco estima uma defasagem média de 1,5 ano para metade dos investimentos, o que pode impactar o lucro no curto prazo, mas não altera o valor presente líquido (NPV).
O segundo risco é a lacuna entre a receita regulada e a receita realizada, que variou entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em anos anteriores. O JPMorgan projeta que essa lacuna deve diminuir para R$ 1 bilhão em 2025 e ser eliminada em 2027. Cada 1% de lacuna representa uma redução estimada de 2% no NPV.
Tarifas e Resistência Política
Por fim, o JPMorgan prevê que as tarifas da Sabesp devem aumentar cerca de 22 pontos percentuais acima da inflação nos próximos cinco anos. Contudo, a resistência política a reajustes tarifários pode ser um obstáculo. O governo de São Paulo se comprometeu a usar recursos da privatização, superiores a R$ 7 bilhões, para subsidiar aumentos e garantir reajustes alinhados à inflação.
Os analistas consideram que a transparência nas estimativas do regulador será fundamental para mitigar a percepção de risco regulatório elevado. O JPMorgan mantém a recomendação de compra para as ações da Sabesp, com um preço-alvo de R$ 140.
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