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Após privatização, Sabesp registra aumento de receita, demissões e vazamentos

Um ano após a privatização, Sabesp registra aumento de receita, demissões de cerca de dez por cento da força de trabalho e vazamentos relevantes em vias públicas

São Paulo (SP), 06/12/2023 - Homem carrega galões de água em frente o reservatório da Sabesp em Vila Mariana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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  • A privatização da Sabesp foi concluída em 23 de julho de 2024, com a venda de 32% das ações por 14,7 bilhões de reais; a Equatorial Participações e Investimentos ficou com 15% como investidora de referência.
  • A capital paulista, responsável por cerca de metade dos negócios da companhia, participou da venda, e as ações vêm negociando em torno de 110 reais.
  • A Sabesp planeja investir cerca de 70 bilhões de reais até 2029, com a universalização do saneamento adiantada em quatro anos; até o momento, foram investidos 10,6 bilhões de reais desde a privatização.
  • O processo de redução de quadro resultou na demissão de mais de 2 mil funcionários desde a privatização, sendo mil no primeiro trimestre; sindicatos apontam riscos de terceirizações, acidentes e queda de remuneração.
  • A política de dividendos deve aumentar a distribuição aos acionistas, passando de 25% para 50% do lucro líquido em 2026 e 2027, com possibilidade de 75% em 2028 e 2029 e 100% a partir de 2030; a Tarifa Social Paulista foi anunciada para ampliar descontos nas contas.

A privatização da Sabesp, a maior empresa de saneamento do Brasil, foi concluída em 23 de julho de 2024. A venda envolveu 32% das ações, com a aquisição por parte de investidores privados por 14,7 bilhões de reais. A operação contou com a participação da Equatorial Participações, que ficou com 15% do capital, tornando-se investidora de referência.

Com a venda, a Sabesp iniciou um plano de investimentos estimado em 70 bilhões de reais até 2029, visando a universalização dos serviços de água e esgoto em todo o estado. A empresa afirma já ter investido 10,6 bilhões desde a privatização, segundo dados divulgados pela própria companhia.

O processo, iniciado em 2021, incluiu mudanças no modelo de contratos com cidades e enfrentou oposição de trabalhadores, que temem perda de controle público e maior terceirização. A Câmara de São Paulo aprovou, em 2023, adesão da cidade ao novo modelo, essencial para tornar a venda viável.

A organização sindical Sintaema aponta perda de influência pública e demissões futuras como consequências do novo regime. Até 2024, a Sabesp teria demitido mais de 2 mil funcionários desde a privatização, com 1 mil desligamentos no primeiro trimestre deste ano, segundo balanço da empresa.

Atrasos e vazamentos também foram citados pela entidade como impactos de redução de equipes de manutenção. Houve registros de grandes vazamentos em vias fluviais da região metropolitana, elevando a preocupação com a qualidade do serviço e a resposta a emergências.

A Sabesp também anunciou mudanças em sua política de recursos humanos, com aumento de contratações terceirizadas e foco em eficiência. A empresa ressalta que o PDV incentiva adesões voluntárias e que tecnologias, como satélite para localização de vazamentos, ajudam na reposição e no monitoramento.

No âmbito financeiro, a empresa projeta maior distribuição de lucros aos acionistas, com a possibilidade de elevação gradual a 100% a partir de 2030. Entre 2024 e 2029, a invisible da receita manteve crescimento devido a maior base de clientes e reajustes tarifários, incluindo alta de até 18% para clientes industriais.

A regulação passou a ficar sob a supervisão da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo). O órgão reviu procedimentos, regulou a tarifa social e aprimorou o monitoramento de indicadores contratuais, com o primeiro relatório público previsto para o final de 2025.

Nesta semana, o governo de São Paulo anunciou a vigência do Tarifa Social Paulista, ampliando descontos de 22% a 78% para famílias em vulnerabilidade. O programa abrange moradores atendidos pela Sabesp, visando reduzir o impacto financeiro da cobrança de água e esgoto.

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