- O setor de transmissão de energia no Brasil realizará um leilão em outubro para licitar 11 lotes em 13 estados, com investimentos de R$ 7,67 bilhões.
- O objetivo é reforçar a infraestrutura de transmissão, especialmente no Nordeste, onde há muitas fontes renováveis.
- O leilão prevê a construção de 1.178 quilômetros de novas linhas de transmissão.
- O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alerta que 11 estados estão em risco de sobrecarga na rede elétrica, podendo causar apagões.
- O Ministério de Minas e Energia (MME) estuda a integração de cargas de hidrogênio na região, com conclusão prevista para dezembro de 2025.
O setor de transmissão de energia no Brasil se prepara para um leilão em outubro, que licitará 11 lotes em 13 estados, com investimentos de R$ 7,67 bilhões. O objetivo é reforçar a infraestrutura de transmissão, especialmente no Nordeste, onde há uma concentração de fontes renováveis, como eólicas e solares, e mitigar riscos de apagões.
O leilão, que ocorrerá em meio a gargalos na infraestrutura, visa a construção de 1.178 quilômetros de novas linhas de transmissão. O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia (Abrate), Mário Miranda, destaca que 90% dos projetos previstos no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) já foram licitados, com um investimento total estimado em R$ 128,6 bilhões até 2034.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alerta que 11 estados enfrentam risco de sobrecarga na rede elétrica, o que pode resultar em apagões. Entre os estados mais vulneráveis estão Bahia, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. A expansão das fontes renováveis, especialmente no Nordeste, tem gerado cortes de geração devido à necessidade de equilibrar a oferta e a demanda de energia.
Desafios e Soluções
A situação é complexa, pois a alta geração de energia renovável pode exceder a demanda, levando a cortes. O Ministério de Minas e Energia (MME) está desenvolvendo um estudo para integrar cargas de hidrogênio na região, com conclusão prevista para dezembro de 2025. Essa iniciativa pode aumentar a capacidade de transmissão e ajudar a resolver os problemas de sobrecarga.
Luiz Fernando Vianna, presidente da Delta Energia, afirma que o leilão de outubro é um passo importante, mas a verdadeira solução para o escoamento de energia do Nordeste deve ocorrer em um leilão previsto para 2030. Ele ressalta que a interligação do Nordeste com o Sudeste é crucial para evitar cortes de geração.
Entre os R$ 7,67 bilhões que serão leiloados, R$ 3 bilhões referem-se a contratos cuja caducidade foi recomendada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A decisão final sobre esses lotes está sob análise do MME, que deve considerar a judicialização frequente no setor elétrico. O advogado Fabiano Gallo acredita que, apesar das incertezas, é provável que os lotes sejam licitados em outubro.
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