- O paradigma do livre comércio, iniciado por Adam Smith e David Ricardo, teve seu auge no século 19 e colapsou na Grande Depressão.
- Após a Segunda Guerra Mundial, o sistema foi revitalizado com a criação do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) em mil novecentos e quarenta e sete e da Organização Mundial do Comércio (OMC) em mil novecentos e noventa e cinco.
- Atualmente, o nacionalismo, exemplificado por Donald Trump, desafia o comércio global com tarifas unilaterais, fragmentando acordos multilaterais e revertendo avanços do neoliberalismo.
- A OMC, que promove um sistema não-discriminatório, enfrenta dificuldades com a estratégia de Trump, que ignora suas regras e favorece acordos bilaterais desiguais.
- A globalização, que trouxe crescimento econômico a países em desenvolvimento, agora enfrenta resistência devido ao descontentamento com a revolução digital e a desindustrialização nos países ricos.
O paradigma do livre comércio, que teve sua origem com Adam Smith e David Ricardo, alcançou seu auge no século 19, mas entrou em colapso durante a Grande Depressão. Após a Segunda Guerra Mundial, o sistema foi revitalizado com a criação do GATT em 1947 e, posteriormente, da OMC em 1995. No entanto, esse modelo enfrenta uma nova crise, impulsionada pela ascensão do nacionalismo e políticas protecionistas, especialmente sob a liderança de Donald Trump.
A imposição de tarifas unilaterais por Trump desafia os princípios do comércio global, fragmentando acordos multilaterais e revertendo avanços do neoliberalismo. O presidente dos EUA ignora as regras da OMC, criando um cenário onde acordos bilaterais desiguais se tornam a norma. Essa estratégia, segundo analistas, pode levar a um retrocesso significativo nas relações comerciais internacionais.
Historicamente, o GATT e a OMC foram fundamentais para a redução de barreiras comerciais e a promoção de um sistema não-discriminatório, baseado na cláusula de “nação mais favorecida”. Essa cláusula visa garantir que tarifas mais baixas concedidas a um parceiro sejam estendidas a todos os outros, exceto em casos de acordos de livre comércio. Essa estrutura foi crucial para evitar a proliferação de medidas protecionistas que exacerbaram a crise econômica na década de 1930.
A globalização, que se intensificou após a dissolução da URSS e a entrada da China na OMC, trouxe crescimento econômico a muitos países em desenvolvimento. Dados mostram que, entre 2001 e 2023, o PIB dos países de renda média e baixa cresceu em média 5,5% ao ano, superando o crescimento de 1,9% dos países de alta renda. Apesar das críticas de que a globalização ampliaria a desigualdade, muitos países em desenvolvimento experimentaram uma redução significativa da pobreza.
Entretanto, a reação contra a globalização, simbolizada por movimentos nacionalistas, reflete um descontentamento crescente com os efeitos da revolução digital e a desindustrialização nos países ricos. A ascensão de líderes como Trump, que culpam o comércio aberto pelo declínio econômico, representa uma mudança significativa nas dinâmicas comerciais globais, desafiando as bases do sistema estabelecido nas últimas décadas.
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