- A Justiça decretou a falência da Oi, uma das maiores empresas de telefonia do Brasil, nesta segunda-feira, 10 de novembro.
- A companhia acumulava dívidas de R$ 1,7 bilhão e tinha uma receita mensal de cerca de R$ 200 milhões.
- A juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) afirmou que a empresa estava “tecnicamente falida”.
- A Oi estava em recuperação judicial desde 2016 e não é a única grande empresa brasileira a falir nos últimos anos.
- Outras seis empresas, como Saraiva, Mappin e Varig, também enfrentaram falências significativas em setores variados.
Nesta segunda-feira, 10 de novembro, a Justiça decretou a falência da Oi, uma das maiores empresas de telefonia do país. O grupo, que tinha uma receita mensal de cerca de R$200 milhões, acumulava dívidas de R$1,7 bilhão. Segundo a juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a companhia estava “tecnicamente falida”
O grupo, que estava em recuperação judicial desde 2016, não foi a única grande empresa brasileira a declarar falência nos últimos anos. Outras também encerraram suas atividades, em setores que vão da aviação à tecnologia. A seguir, conheça outras seis empresas brasileiras que já faliram
Saraiva
Uma das falências mais recentes, além da Oi, é a da rede de livrarias Saraiva. Fundada em 1914 por um imigrante português, a empresa chegou a ser a maior do setor no país, com mais de 100 lojas em todo o Brasil, incluindo as Saraiva Mega Store, que também comercializavam CDs, DVDs, jogos e outros produtos
Em 2018, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial por causa de uma dívida de mais de R$600 milhões. Em 2023, porém, não conseguiu superar os débitos e teve a autofalência aceita pela Justiça de São Paulo
Mappin
Uma das redes mais tradicionais a enfrentar a falência foi o Mappin, loja de departamentos brasileira muito conhecida entre os paulistanos. Em uma pesquisa do Instituto Gallup, 97% dos moradores da capital afirmaram conhecer a marca e 67% já haviam comprado em suas lojas. Famoso pelos jingles marcantes e pela imponente unidade na Praça Ramos de Azevedo, o Mappin marcou época no comércio de São Paulo
A loja encerrou suas atividades em 1999, após acumular R$ 1,2 bilhão em dívidas e enfrentar 300 pedidos de falência, o que levou à prisão do então proprietário, Ricardo Mansur. Em 2009, o grupo Marabraz comprou a marca por R$ 5 milhões e, em 2019, o Mappin retornou como um site voltado ao varejo online
Arapuã
Outra varejista que se destacou nos anos 1990 foi a Arapuã, conhecida pelo slogan “Arapuã, ligadona em você!”. A empresa surgiu no interior como uma loja de tecidos e, com o tempo, expandiu suas operações, até alcançar sua popularidade através do sistema de crediário que permitia o parcelamento das compras. Ela chegou a ter 265 lojas em todo o país e, mesmo em meio à crise do setor, registrou um faturamento bilionário de R$ 2,2 bilhões
Porém o que foi seu ponto de sucesso, o crediário, também se tornou sua ruína, onde após a crise financeira asiática de 1997 junto da desvalorização do real, a empresa juntou mais de R$1 bilhão de reais em dívidas.
Em 2002, a Justiça declarou a falência da Arapuã em primeira instância e, em 2009, mesmo após pedidos de recuperação judicial, a decisão foi confirmada. Em 2020, a empresa teve a falência decretada pela segunda vez, após tentar se reerguer com um novo plano de recuperação e a venda de parte dos bens para pagar dívidas. Uma credora e o Ministério Público contestaram a medida, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que, como a Arapuã já havia falido e descumprido a concordata, não poderia pedir nova recuperação judicial.
Varig
Saindo do setor varejista, temos a Varig, uma das companhias aéreas mais tradicionais do Brasil. Fundada em 1927, no Rio Grande do Sul, a empresa foi pioneira na aviação nacional e chegou a se tornar a maior da América Latina em determinado período com auge entre as décadas de 1960 e 1980.
A crise da Varig começou na década de 1990, quando perdeu o domínio no setor aéreo para concorrentes como Transbrasil e Vasp, além da entrada de empresas estrangeiras. Em 2005, a companhia pediu recuperação judicial e foi dividida em duas: a “Velha Varig”, que acumulava quase R$8 bilhões em dívidas, e a “Nova Varig”, adquirida pela Volo do Brasil e depois pela GOL. A falência da Velha Varig foi decretada em 2010, três anos após ter sido administrada pela Flex Linhas Aéreas.
Itautec
Muito conhecida nas décadas de 1980 e 1990, a Itautec, empresa de eletrônicos do Itaú reconhecida por seus computadores corporativos e pelo logotipo em formato de olho, iniciou as operações em 1979 com projetos de automação bancária por meio de terminais. A partir de 1982, lançou seu primeiro microcomputador e, no ano seguinte, apresentou o primeiro caixa eletrônico do país.
Apenas em 1995 a Itautec ganhou mais destaque no setor de eletrônicos com a linha InfoWay. Nos anos 2000, porém, começou a perder espaço para novas concorrentes que entraram no mercado. Em 2013, deixou o segmento de computadores e passou a atuar exclusivamente em automação bancária, em parceria com a empresa japonesa OKI.
Banco Santos
Por fim, há o Banco Santos, fundado pelo banqueiro Edemar Cid Ferreira, falecido em 2024, que chegou a ser um dos maiores do país.
A decadência do Banco Santos começou após um rombo de cerca de R$ 2,9 bilhões, que provocou prejuízo a mais de 700 clientes e levou Edemar Cid Ferreira a ser condenado a 21 anos de prisão. Ele chegou a ser preso duas vezes, mas foi solto posteriormente. Na época, o Banco Central interveio, limitou os saques e tentou reestruturar a instituição. Sem uma solução viável, o banco foi declarado falido em 2005.
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