- Aproximadamente 40 mil servidores recebem supersalários acima do teto de cerca de R$ 46,4 mil, concentrados na magistratura, Ministério Público e carreiras jurídicas.
- Entre agosto de 2024 e julho de 2025 foram gastos R$ 20 bilhões com remunerações acima do teto, o maior valor já registrado.
- O levantamento aponta 53,5 mil beneficiados pelo extrateto, representando 1,34% dos servidores analisados, com maior incidência entre magistratura e Ministério Público.
- O Senado aprovou reajustes e novos penduricalhos, como licença compensatória, que pode chegar a até R$ 117 mil brutos e é isenta de Imposto de Renda.
- O estudo traz caminhos internacionais para conter supersalários, incluindo comissões salariais independentes e regras mais claras sobre indenizações e tetos, visando reduzir desigualdade e uso de recursos públicos.
O estudo sobre teto salarial no setor público aponta que 40 mil servidores recebem acima do teto constitucional de aproximadamente R$ 46,4 mil. O levantamento compara o Brasil com dez países.
Ao todo, 53,5 mil trabalhadores ficam acima do teto (1,34% do conjunto analisado). A concentração ocorre majoritariamente na magistratura, no Ministério Público e em carreiras jurídicas.
O Brasil gastou cerca de R$ 20 bilhões em remunerações acima do teto entre agosto de 2024 e julho de 2025. O montante supera em muito a média de outros países pesquisados.
O estudo, publicado pelo Movimento Pessoas à Frente e pela República.org, utiliza dados de 10 nações para comparar práticas de teto e de remuneração extra. A Argentina não tem números equivalentes.
Contexto financeiro e institucional
A pesquisa aponta que 53,5 mil recebem acima do teto com impacto direto nas contas públicas. O gasto é 716 mil vezes a mediana da renda nacional, estimada em R$ 28 mil por ano.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, quase 11 mil juízes obtiveram salários acima do teto, cerca de 79,9% dos magistrados. O conjunto soma R$ 11,5 bilhões nessa faixa.
Medidas legislativas em tramitação
Ainda em dezembro, o Senado aprovou reajustes para servidores da Casa e novos penduricalhos. A licença compensatória pode render até um dia extra por três dias trabalhados, sem IR.
A proposta prevê extensão da licença aos servidores com funções comissionadas e aos assessores de gabinetes, além de incluir trabalhadores do TCU. Salários podem chegar a R$ 117 mil brutos.
Caminhos internacionais e perspectivas
Países como Chile, Reino Unido e Alemanha adotam comissões salariais independentes ou regras rígidas de indenizações para limitar penduricalhos. Teto único ou tabelas unificadas ajudam a evitar distorções.
Nos Estados Unidos, valores acima do teto devem ser pagos no ano seguinte, com tetos diferenciados por cargo. Teto inclui parcelas remuneratórias e indenizatórias, bloqueando adicionais indevidos.
Desafios políticos e sociais
Especialistas ressaltam a necessidade de coalizão entre Judiciário, Legislativo e Executivo para frear os supersalários. A agenda depende de acordos políticos e de reformas administrativas amplas.
Analistas destacam que mudanças estruturais demandam amadurecimento institucional e mobilização social. A bastonada política pode exigir tempo e articulação entre poderes.
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