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Mais artistas norte-americanos pagam por seus shows com cortes em museus

Artistas nos EUA subsidiam exposições diante de cortes de verbas; fundos independentes tentam preencher o hiato, ainda com demanda maior que oferta

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
The artist Lucia Hierro creates large-scale works such as Dyckman Express (2023). Recently, she says she has had to find her own funding to produce a new commission Photo: Shark Senesac; courtesy of the Artist and Swivel Gallery
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  • Nos EUA, artistas costumam subsidiar orçamentos de museus e comissões, porque o financiamento não cobre custos de produção; o caso de Lucia Hierro mostra uma peça com custo de fabricação entre 35 e 40 mil dólares, além do apoio institucional ter ficado aquém.
  • O Fountainhead Arts criou o programa Forum para ajudar artistas formados em residências a cobrir déficits de orçamento em exposições e aquisições, oferecendo até 20 mil dólares por projeto; na primeira edição, 96 candidaturas pediram 1,8 milhão de dólares, frente a apenas 125 mil disponíveis.
  • O cenário é agravado pela redução de recursos federais e estaduais para as artes, cortes em programas de diversidade e inclusão e aumentos de custos de moradia em polos culturais, afetando a viabilidade de projetos institucionais.
  • As consequências não são entre artistas apenas: comunidades historicamente marginalizadas sofrem mais, e residências e organizações sem fins lucrativos acabam virando estruturas de apoio para programação museológica; a transparência orçamentária ainda é um obstáculo.
  • Há propostas de políticas públicas, como maior transparência, incentivo fiscal mais equitativo para artistas e modelos de exposição que envolvam o público com antecedência, além de parcerias entre museus, fundações e comunidades para sustentar o trabalho artístico.

A recente pesquisa de uma instituição sem fins lucrativos em Miami revela o aumento da distância entre visão artística e orçamento disponível para exposições nos museus dos EUA. Artistas relatam ter de financiar parte significativa de suas obras para que projetos vinculados a museus, comissões públicas ou aquisições possam avançar. Em alguns casos, oportunidades desaparecem quando o artista não consegue levantar os recursos necessários.

Lucia Hierro, artista dominicano-americana, começou a desenvolver uma nova comissão com uma cadeira monobloc de 7,5 pés de altura, em tom homenageador e político sobre a vida diaspora. O custo de fabricação oscila entre 35 mil e 40 mil dólares, valor maior do que o permitido pela instituição patrocinadora. A artista afirma que não busca lucro, mas ficou surpresa com a ausência de caminho viável para o projeto sem financiamento próprio.

A iniciativa Fountainhead Arts, com um novo fundo Forum, surgiu para ajudar ex-alunos de sua residência a cobrir déficits orçamentários em exposições institucionais e aquisições. Mesmo assim, o programa enfrentou 96 candidaturas que totalizaram 1,8 milhão de dólares, mais de 14 vezes o aporte disponível de 125 mil. A demanda reflete uma realidade que já era comentada informalmente: artistas com compromissos institucionais confirmados não conseguem realizar o trabalho sem recursos adicionais.

A diretora do Fountainhead, Kathryn Mikesell, destaca que as oportunidades são valiosas, mas, muitas vezes, subdimensionadas financeiramente para os artistas. O Forum é, hoje, o maior fundo de apoio a artistas gerido por residências nos EUA, com possibilidade de ampliar o aporte no futuro. A prática aponta para um quadro de ruptura estrutural no setor.

O cenário mais amplo envolve cortes de financiamento público à cultura desde o início do segundo mandato de Trump, com rescisão de apoios federais e estaduais. Organizações de porte pequeno ou médio, sobretudo as voltadas a comunidades negras, rurais e ecossistemas locais, perderam suporte básico. Estados como a Flórida também reduziram o investimento cultural.

Profissionais do setor veem impactos diretos na produção de museus, cuja maior parcela de despesa costuma ser a de produção de exposições. Quando o orçamento aperta, cortes costumam recair sobre produção, deslocando custos para artistas, galerias ou parceiros externos. Em alguns casos, a ausência de transparência dificulta o entendimento de onde os déficits ocorrem.

Especialistas ressaltam que, além de obras, há pedidos de suporte que vão além do projeto, incluindo assessoria jurídica, saúde, planejamento de fim de vida e proteção legal. A percepção é de que a instabilidade financeira afeta a continuidade da carreira de muitos artistas, especialmente aqueles sem representations firmes ou com menos capital geracional.

Para alguns agentes, o caminho pode passar por mudanças políticas que incentivem benefícios fiscais aos artistas, maior transparência institucional e modelos de programação que envolvam o público com antecedência. A participação de redes entre museus, fundações e organizações artísticas é citada como caminho promissor para ampliar parcerias e sustentabilidade.

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