- Vinícolas da União Europeia aumentam interesse em expor no Brasil antes da assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, segundo o diretor da Wine South America.
- A Wine South America ocorrerá de 12 a 14 de maio em Bento Gonçalves (Serra Gaúcha), com maior participação europeia prevista.
- O Brasil permanece como mercado em expansão no setor, com crescimento estimado de cerca de 6% em 2025, segundo a Ideal BI.
- Preocupações incluem juros altos que elevam o custo de estoque para importadores e a possibilidade de a reforma tributária aumentar a carga sobre vinhos.
- Produtores europeus contam com subsídios em seus países, o que pode impactar a competitividade brasileira; há demanda por políticas compensatórias locais.
O interesse de vinícolas europeias pelo Brasil aumenta antes de um possível acordo Mercosul–UE. Produtores vislumbram o mercado brasileiro como espaço para expansão, o que pode favorecer o comércio, mas pressiona o equilíbrio competitivo entre players locais. A tendência é acompanhada pela Wine South America, que ocorre de 12 a 14 de maio em Bento Gonçalves.
Segundo Marcos Milanez, diretor do evento, houve crescimento de consultas de vinícolas da União Europeia nos últimos meses. A percepção é de que, com a assinatura do acordo, o Brasil pode se tornar mais receptivo a vinhos importados. A participação europeia no evento tende a crescer.
A Itália, Portugal e Vinhos Verdes confirmaram presença, em conjunto com associações de promoção de vinhos. O movimento ocorre no contexto em que o Brasil consolida posição como maior mercado consumidor de vinhos na América Latina. Dados indicam expansão moderada do mercado brasileiro em 2025.
Tendências em consolidação
Com cenários internacionais incertos, as vinícolas voltam os olhos para a América Latina, principalmente para o Brasil, aponta Milanez. A consultoria Ideal BI aponta crescimento de cerca de 6% em 2025 frente ao ano anterior, mas o setor permanece atento a 2026.
O ambiente macroeconômico eleva custos de financiamento de estoques devido à taxa Selic alta, impactando margens, especialmente para importadores. Produtores nacionais também enfrentam desafios estruturais, mesmo com uma safra 2024/2025 considerada excepcional.
Concorrência e políticas públicas
A entrada de vinhos europeus pode ampliar a oferta e pressionar preços, especialmente diante de uma reforma tributária que pode enquadrar o vinho em impostos adicionais. Analistas apontam que a carga tributária atual já representa cerca de metade do valor final de uma garrafa.
Produtores europeus contam com subsídios em seus países, o que aumenta a percepção de deslealdade competitiva em relação aos produtores brasileiros. Diante disso, o setor nacional busca políticas de equalização para enfrentar a concorrência externa.
Impactos para o trade
Para importadores, a redução de tarifas pode ampliar o portfólio e estimular o consumo. Já para produtores brasileiros, pode haver perda de espaço sem medidas de equilíbrio. Milanez enfatiza a necessidade de políticas públicas que protejam a sustentabilidade do setor nacional.
A Wine South America funciona como termômetro do mercado e principal ponto de entrada para produtores estrangeiros no Brasil. Em 2024, o evento reuniu 430 marcas e gerou mais de R$ 100 milhões em negócios, com cerca de 2.000 reuniões entre produtores e compradores.
Perspectivas para 2026
Espera-se crescer o número de expositores em torno de 10% em 2026. O grupo organizador prevê aumento na participação de vinícolas europeias, com a União Europeia representando hoje cerca de dois terços das marcas estrangeiras presentes. Milanez ressalta que novas adesões devem consolidar esse peso.
Além de compradores nacionais, a feira atrai importadores internacionais, com apoio de entidades como a ApexBrasil. A presença de compradores de 19 países reforça a função da evento como espaço de negociações globais de vinhos.
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