- Os produtores de óleo de xisto dos EUA já enfrentavam excesso global de oferta, com o preço do petróleo em queda envolvente e cotação ao redor de $56 por barril.
- A captura estadunidense do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da esposa impactou as ações de produtores independentes, como Diamondback Energy e Devon Energy, ainda que a produção venezuelana de longo prazo leve tempo para aumentar.
- O petróleo venezuelano é pesado e requer mais processamento, o que o torna menos competitivo para refinarias globais, mas sua possível retomada aumenta o suprimento mundial.
- Economicamente, o breakeven de poços existentes fica entre $26 e $45 por barril, e entre $61 e $70 para poços recém-perfurados; o setor, porém, está mais disciplinado e menos endividado do que em 2020.
- A produção nos Estados Unidos deve permanecer estável em 2026, com a Administração de Informação de Energia prevendo em torno de 13,5 milhões de barris por dia, a primeira queda em quatro anos.
O setor de fraturamento hidráulico dos EUA enfrentava, em 2026, queda de produção pela primeira vez em quatro anos, em meio a preços do petróleo próximos de quatro anos baixos. A notícia de possível competição direta com petróleo venezuelano elevou a apreensão entre produtores independentes.
Nos EUA, frackers estudam impactos de uma nova oferta externa enquanto a produção local segue pressionada por margens apertadas. A indústria, responsável por aproximadamente 64% da produção de petróleo dos EUA em 2023, ainda opera com custos elevados e necessidade de investimento contínuo.
A possível retomada da produção venezuelana, sob o governo de Nicolás Maduro, poderia ampliar a oferta global. Contudo, analistas destacam que o petróleo venezuelano é mais pesado e exige refino adicional, o que reduz o impacto imediato sobre refinarias dos EUA.
A produção venezuelana demanda tempo para alcançar volumes significativos, o que ameniza o efeito de curto prazo sobre produtores americanos. Mesmo assim, o desenvolvimento complica o cenário de preços já pressionados pela elevação da oferta de outros países.
Níveis de preço atuais indicam menor incentivo a novos gastos. A Administração dos EUA projeta queda moderada na produção em 2026, com média de aproximadamente 13,5 milhões de barris por dia, ante 13,6 milhões em 2025.
Economistas ressaltam que o custo de breakeven para poços existentes varia entre 26 e 45 dólares por barril, enquanto novos poços exigem entre 61 e 70 dólares. Esse patamar dificulta a lucratividade em cenários de óleo estável.
O setor tem passado por mudanças estruturais desde 2020, com consolidação entre grandes empresas e redução de investimentos. A perspectiva de maior oferta global pode pressionar ainda mais o setor, especialmente os produtores menores.
Com a dinâmica atual, as mudanças relevantes aparecem mais pela combinação de preços, capacidade de produção e evolução da oferta venezuelana do que por efeitos imediatos de curto prazo. O cenário permanece incerto e sujeito a volatilidades.
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