- O acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve reduzir, de forma gradual, o preço dos vinhos importados no Brasil, com queda estimada em cerca de 20% para rótulos europeus.
- A redução tarifária real não será imediata; começa a ocorrer entre dois e três anos, com zerar de impostos previsto entre oito e doze anos, segundo o Ministério do Desenvolvimento.
- O efeito no curto prazo não deve impactar imediatamente os preços nas gôndolas; consumidores podem ver mudanças mais significativas em vinhos de maior valor ao longo do tempo.
- A principal mudança é a competição mais próxima entre vinhos europeus e sul-americanos, tornando a briga de escala mais efetiva com o Chile, que hoje lidera o mercado brasileiro por não cobrar imposto de importação.
- Na Wine, 37% dos vinhos vendidos são de origem europeia; a empresa aposta que a redução de custos e repasses aos consumidores pode acelerar a premiumização e possivelmente levar vinhos de entrada sul-americanos a se reposicionarem.
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia deve trazer queda real dos preços dos vinhos importados no Brasil, mas a redução não será imediata. Quem aponta esse efeito é Alexandre Magno, CEO do Grupo Wine, maior varejista de vinhos do país. A expectativa é de ajuste gradual nos próximos anos, com foco maior na qualidade do produto consumido do que no curto prazo.
Segundo Magno, o custo total da bebida ao consumidor brasileiro é elevado pela soma de impostos, transporte e encargos, o que trava quedas rápidas de preço. Ele aponta que, com a liberalização, vinhos europeus poderão competir em condições mais próximas às praticadas na América do Sul, sobretudo diante da posição de liderança do Chile no Brasil.
Perspectivas e cronograma
O executivo afirma que a mudança estrutural deve ser celebrada após 25 anos de negociação, mas o impacto direto nos preços ocorrerá de forma gradual. A expectativa do Ministério do Desenvolvimento, segundo ele, é zerar o imposto entre oito e doze anos, com a redução efetiva começando entre dois e três anos.
Impacto por faixa de preço
A queda na gôndola tende a ser assimétrica: vinhos de menor valor devem ver variações menores, de cerca de R$ 5 a R$ 6, enquanto rótulos de alto custo podem reduzir mais significativamente, potencialmente chegando a R$ 150 a menos, em exemplos citados pelo executivo.
Repercussões para o mercado
Magno aponta que o acordo pode acelerar a premiumização no consumo de vinhos, com maior demanda por produtos de qualidade superior. Vinhos sul-americanos de entrada podem perder atratividade, levando vinícolas a reposicionarem-se para categorias médias com melhor qualidade. A mudança dependerá da leitura de fornecedores e do desempenho real do mercado.
Contexto da Wine
No portfólio do Grupo Wine, vinhos europeus respondem por 37% das vendas, acima da média brasileira. O maior desafio atual é esclarecer o custo-benefício ao consumidor, que normalmente fecha compras em torno de R$ 45 por garrafa, com a maior parte do volume nesse patamar. A empresa vê nas reduções de custo e no repasse aos consumidores um caminho para ampliar o engajamento com a categoria.
Entre na conversa da comunidade