- Nelson Tanure abriu mão de quase toda a sua participação na Prio (PRIO3), cerca de 20%, para pagar credores.
- Mais de 17% da Prio foi dada como garantia em um empréstimo do Credit Suisse, posição que o UBS desfez ao comprar o banco.
- Quase todas as ações restantes foram vendidas para quitar outras dívidas, e ocorreu venda forçada da participação.
- A operação acontece em meio à crise de crédito de Tanure, que tem envolvimento com o Banco Master e enfrenta investigação, com seu advogado afirmando não haver relação societária com o banco.
- A Prio foi fundamental para o crescimento de Tanure no setor; a empresa vale hoje mais de R$ 38 bilhões, e o filho dele é presidente do conselho da companhia.
Nelson Tanure abriu mão de quase toda a sua participação na Prio para quitar credores, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A petrolífera era vista como a joia do seu grupo. A informação foi publicada pela Bloomberg News.
Tanure possuía cerca de 20% da Prio (PRIO3). Mais de 17% da empresa estava garantido por um empréstimo do Credit Suisse, posição desfeita pelo UBS após a aquisição do banco. Quase todo o restante das ações da Prio foi vendido para pagar dívidas.
A venda forçada da participação na Prio amplia os revés de Tanure, conhecido por investir em ativos problemáticos. O empresário enfrenta crise de crédito diante da queda de valor de várias empresas do grupo e do escrutínio sobre seus vínculos com o Banco Master, que foi liquidado em 2025 por fraude.
Situação na Prio e credores
A Prio afirmou, como companhia aberta, que não comenta participações individuais, exceto quando exigido pela regulamentação. O UBS não comentou o assunto. Tanure não respondeu a pedidos de comentário da Bloomberg News.
Segundo as fontes, Tanure vendeu quase todas as ações restantes da Prio para quitar cerca de R$ 1,5 bilhão em principal e juros de empréstimos. Como garantia adicional, ele chegou a oferecer imóveis pessoais para postergar pagamentos de cerca de R$ 1,4 bilhão aos credores.
Contexto financeiro e desdobramentos
Ainda em 2023, Tanure tentou obter controle de Braskem e GPA, grandes grupos do setor petroquímico e de varejo. O foco atual inclui o Banco Master, cuja operação vem sendo investigada pela Polícia Federal, com novos desdobramentos anunciados nesta quarta-feira.
Parte da agenda de liquidez envolve a venda indireta da Ligga, de atuação não listada, e ações para a venda da Alliança, controlada por Tanure, com assessoramento do Rothschild e BTG Pactual. O objetivo é reduzir exposição a credores e recompor caixa.
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