- O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, por graves violações às normas do sistema financeiro.
- A medida ocorreu um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga esquema de fraudes envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag.
- As investigações indicam que empréstimos do Banco Master foram destinados a empresas que aplicavam recursos nos fundos da gestora, com transações sequenciais que reavaliavam ativos com valorização descompassada com o mercado, incluindo uma operação que chegou a 10.502.205%.
- O BC informou que continuará apurando responsabilidades e que os bens dos controladores e exadministradores ficam indisponíveis, conforme a lei, com possibilidade de sanções administrativas e comunicações a outras autoridades.
- O Banco Master já teve liquidação decretada em novembro, após identificação de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes; investidores de CDBs ligados ao caso aguardam ressarcimento, enquanto auditoria dos credores ainda não concluída.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust DTVM. A decisão aponta graves violações às normas do sistema financeiro. A medida ocorreu nesta quinta, 15, em Brasília.
A liquidação acontece uma dia após a Polícia Federal deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag. João Carlos Mansur é o fundador da gestora.
Investigação aponta que o Banco Master concedia empréstimos a empresas com recursos aplicados nos fundos da Reag, com reavaliações frequentes e ganhos não correspondentes ao mercado. Uma operação registrou valorização de 10.5 milhões por cento.
Contexto da investigação
O BC disse que continuará apurando as responsabilidades legais e pode aplicar sanções administrativas. Bens dos controladores e ex‑administradores ficam indisponíveis, conforme a lei.
O Banco Master já havia sido liquidado em novembro, após o órgão identificar cerca de R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes. A conclusão impediu venda da instituição ao BRB.
Na terça, o ministro Fernando Haddad classificou o caso do Master como possivelmente a maior fraude bancária da história do Brasil, reforçando o alerta do governo sobre eventuais fraudes.
Os credores aguardam a auditoria da lista de credores da EFB Regimes Especiais, liquidante do BC, para definir o ressarcimento pelo FGC. O pagamento depende desse processo.
A Reag, sediada na região da Faria Lima, em São Paulo, não respondeu oficialmente sobre a liquidação até o momento. A instituição figura no segmento S4 da regulação prudencial.
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