- O Banco Central decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag Trust DTVM, gestora de fundos do grupo Reag Investimentos.
- As operações da gestora foram encerradas imediatamente, mas os fundos administrados pela Reag permanecem ativos e precisam de uma nova instituição para ficar à frente da administração.
- A Reag é investigada na Operação Compliance Zero por suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, além de ter sido citada na operação Carbono Oculto, ligada ao PCC e a lavagem de dinheiro.
- Segundo o BC, a Reag descumpriu regras legais e prudenciais, comprometendo a operação segura e conforme a lei; se nenhum novo administrador aceitar os fundos, o BC poderá liquidá-los, com clientes recebendo o valor na hora da liquidação.
- Não há prazo para indicação de um novo administrador; o ideal é que ocorra o mais rápido possível, mas não há regra definida.
O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que passa a operar sob o novo nome Reag Trust DTVM. A decisão encerra de imediato as operações da gestora, ligada ao grupo Reag Investimentos. Os fundos sob gestão, no entanto, não são encerrados: continuam ativos, mas precisam de uma nova instituição para assumir a administração.
A Reag está sob investigação em operações de combate a fraudes. Na Operação Compliance Zero, o BC aponta indícios de movimentação atípica de recursos, inflacionamento de resultados e ocultação de riscos em fundos estruturados pela empresa, com possível ligação a fraudes e lavagem de dinheiro no Banco Master. Em outra frente, a megaoperação Carbono Oculto envolve acusações de gestão de fundos usados pela facção PCC para lavagem de dinheiro. O BC afirmou que a Reag violou regras legais e prudenciais, comprometendo sua capacidade de operar com segurança e dentro da lei.
O que acontece com os fundos administrados pela Reag
Os fundos geridos pela Reag não serão encerrados pela liquidação. A empresa atua como gestora de mais de 80 fundos de investimento, que precisarão ser reatribuídos a outros administradores. As carteiras continuam existindo, porém sem a atuação da Reag. Os gestores de cada fundo ou os próprios investidores devem indicar ao BC uma nova administradora. Caso não haja aceitação até a conclusão do processo, o BC poderá decretar a liquidação dos fundos. Nesse cenário, os clientes receberiam o valor de suas cotas no momento da liquidação. Com a liquidação, as operações ficam paralisadas e aguardam avaliação do BC.
Perguntas e respostas sobre o desdobramento
Economista do Insper, Alexandre Chaia, explica que não há prazo definido para a indicação de um novo administrador. O ideal é que a transição ocorra o mais rápido possível para retomar as operações, mas não existe regra específica de tempo. O foco, segundo Chaia, é garantir continuidade dos fundos com segurança regulatória e proteção aos cotistas.
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