- As prévias do 4T25 mostram dinâmicas diferentes por segmento: baixa renda com vendas rápidas e geração de caixa sólida, enquanto média e alta renda apresentam performance heterogênea.
- A Cury destacou geração de caixa de 321 milhões de reais no 4T25 e 683 milhões de reais no acumulado de 2025, com pré-vendas líquidas de 1,44 bilhão.
- Velocidade de vendas ficou mais alta no segmento econômico (aproximadamente 40% para Cury e Tenda, Lavvi 28%); Even registrou 88% das vendas em estoque, Cyrela teve 17%.
- Cyrela teve queda de 32% nas vendas líquidas e 33% nos lançamentos; Tenda teve pré-vendas abaixo do esperado na divisão principal e lançamentos menores na Alea.
- Destaques positivos: Plano&Plano com pré-vendas de 1,47 bilhão e alta de 125%, Melnick e Moura Dubeux mostraram avanços em lançamentos e pré-vendas; Lavvi teve 1,12 bilhão em vendas e 28% de velocidade.
O mercado abriu o quarto trimestre de 2025 com leituras distintas entre os segmentos do setor imobiliário listado na B3. De modo geral, incorporadoras de baixa renda mostraram maior consistência, enquanto as de média e alta renda adotaram postura mais cautelosa diante de juros elevados.
As análises de Itaú BBA, BTG Pactual, XP e Santander, divulgadas a partir de 12 de janeiro, destacam que a geração de caixa ganhou peso na avaliação. A fotografia aponta um cenário macroeconômico mais restritivo, em que o caixa efetivo importa tanto quanto o volume de vendas.
Entre as métricas, a velocidade de vendas manteve-se elevada no segmento econômico, com crédito direcionado impulsionando a demanda por programas habitacionais. Na baixa renda, Cury e Tenda (Alea) registraram velocidades próximas de 40% no trimestre, enquanto em média e alta renda houve números mais modestos, como 17% em Even, Helbor e Cyrela.
Desempenho por empresa e destaques
Cury (CURY3)
- Geração de caixa de R$ 321 milhões no 4T25, e R$ 683 milhões no acumulado de 2025. Pré-vendas líquidas somaram R$ 1,44 bilhão, 22% acima de 2024. Analistas ressaltam forte conversão de vendas em caixa atribuída a repasses e disciplina operacional.
Cyrela (CYRE3)
- Vendas líquidas caíram 32% e lançamentos recuaram 33% no trimestre. Velocidade de vendas foi de 17%, abaixo dos 32% de 4T24. BTG Pactual classifica os números como suaves, porém alinhados às expectativas, com demanda saudável nos lançamentos.
Direcional (DIRR3)
- Vendas líquidas de R$ 1,52 bilhão, queda de 4% anual. Velocidade de vendas pressionada pela concentração de lançamentos em dezembro; divisão Riva apresentou desempenho estável. BTG Pactual aponta resultados abaixo de estimativas, atribuídos a calendário de lançamentos.
Even (EVEN3)
- Vendas líquidas avançaram 42% vs. 2024, com 88% do volume vindo de estoques. BTG Pactual aponta surpresa positiva na venda de estoques, mas cautela persiste pelo ambiente de juros altos na renda média e alta.
Helbor (HBOR3)
- Vendas líquidas +28% e melhoria da velocidade de vendas. Lançamentos ficaram aquém de estimativas após adiamento de projeto relevante; venda de terrenos ajudou a caixa. Itaú BBA reforça operação positiva com caixa robustecido.
Lavvi (LAVV3)
- Vendas líquidas de R$ 1,12 bilhão, velocidade de 28%. Segundo maior volume de lançamentos da história. BTG Pactual classifica o trimestre como sólido, destacando o uso de caixa já previsto pelo investimento em terrenos.
MRV (MRVE3)
- Velocidade de vendas de 23%; segmento MCMV gerou caixa operacional de R$ 175 milhões com aumento de repasses. Lançamentos totalizaram R$ 2,9 bilhões. Itaú BBA vê avanço operacional e melhoria gradual da geração de caixa.
Melnick (MELK3)
- Lançamentos de R$ 455 milhões, alta de 111% frente a 4T24; pré-vendas líquidas cresceram 65%. XP Investimentos enxerga reação positiva do mercado à intensificação da atividade.
Moura Dubeux (MDNE3)
- Lançamentos cresceram 115% anual; vendas líquidas +34%, com boa absorção de projetos de alto padrão. XP Investimentos destaca consistência da demanda e visibilidade operacional.
Plano&Plano (PLPL3)
- Pré-vendas líquidas de R$ 1,47 bilhão, alta de 125% anual, superando projeções de analistas. XP Investimentos ressalta elevada absorção dos projetos mesmo com lançamento expressivo.
Tenda (TEND3)
- Pré-vendas abaixo do esperado na divisão principal; Alea com lançamentos aquém das estimativas devido a adiamento de projeto no RS. Santander aponta pressão de geração de caixa no curto prazo, mas mantém guia anual próximo do solicitado.
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