- A Royal Mail atrasou cartas e encomendas no Natal para cerca de dezesseis milhões de pessoas, considerada performance inaceitável.
- O atraso foi 50% maior que em 2024, atingindo o maior nível em cinco anos fora de greves anteriores.
- Aproximadamente 5,7 milhões dos 16 milhões com atraso perderam informações importantes, como consultas de saúde, multas, decisões de benefício e documentos legais.
- Ofcom não aplica metas normais de entrega no período de Natal; o mote é que a regulação deve agir com mais rigor sobre metas não cumpridas.
- O ano marcou a aquisição da IDS pelo bilionário tcheco Daniel Krétínský, aumento de preço dos selos (primeira classe a £1,70; segunda classe a 87p) e decisão regulatória que já multou a Royal Mail em £21 milhões por atrasos.
Royal Mail entregou cartas e encomendas de Natal com atraso para cerca de 16 milhões de pessoas, segundo a organização de defesa do consumidor Citizens Advice. A constatação aponta falhas no serviço durante o período festivo, considerado crítico para os usuários.
A pesquisa, realizada com quase 2.100 adultos pela Yonder, aponta que 5,7 milhões dos 16 milhões com entregas atrasadas perderam informações importantes, como consultas de saúde, notificações de multas, decisões de benefícios e documentos legais.
A Citizens Advice afirma que o volume de atrasos é inaceitável para consumidores sem outra opção de serviço postal. A entidade destaca que a situação persiste e pede atuação mais rigorosa do regulador diante de metas não alcançadas.
Ofcom, que regula o setor, não aplica metas normais de entrega no período de maior movimento; a Royal Mail, por sua vez, disse que mais de 99% das encomendas enviadas até as datas recomendadas chegaram a tempo, mesmo com o acúmulo de volume.
Este foi o primeiro Natal sob o controle do IDS (International Distribution Services), após a aquisição por Daniel Křetínský, concluída em 2025. O processo de reestruturação envolveu cortes de serviços, com o regulador aprovando, em julho, a redução da entrega de correspondência de segunda classe aos sábados.
Os custos dos selos aumentaram significativamente desde 2020: o selo de primeira classe custa agora 1,70 libras, enquanto o de segunda classe fica em 0,87 libras. A Citizens Advice destacou que mais de um terço dos respondentes enviou menos cartas de Natal por causa do preço.
A Royal Mail acumula histórico de incumprimento de metas de entrega de primeira classe desde 2017 e de segunda classe desde 2020. Em outubro, o regulador multou a empresa em 21 milhões de libras por não cumprir metas anuais de entrega.
Diante do cenário, a entidade de defesa dos consumidores aponta que aumentos futuros de tarifas devem depender do cumprimento dessas metas. A análise aponta ainda redução de cartas enviadas nos últimos anos, com queda de 20 bilhões para volumes menores, pese ao aumento do contingente de endereços atendidos.
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