- O superávit da China subiu 20% em 2025, para US$ 1,2 trilhão, com as exportações totais em crescimento.
- Exportações para a ASEAN cresceram mais de 13%, e para a União Europeia mais de 8%; as importações chinesas ficaram estáveis.
- A forte onda de exportações chinesas está pressionando manufaturas em países ricos e pobres ao redor do mundo.
- Organização Mundial do Comércio e governos discutem reformas para governança do comércio global, diante de tensões provocadas pela China.
- Com EUA se reconfigurando, a China emerge como potencial líder econômico, mas precisa manter políticas abertas para sustentar esse papel.
O imenso excedente comercial da China em 2025, que atingiu 1,2 trilhão de dólares, amplia o domínio das exportações globais. Mesmo com tarifas dos EUA, o total de vendas chinesas subiu, impulsionado por Asia e União Europeia, enquanto as importações permaneceram estáveis.
Essa trajetória pressiona fabricantes em países ricos e em desenvolvimento, criando desequilíbrios no comércio global. Analistas afirmam que a estratégia chinesa de exportação ampliada elevou tensões com instituições econômicas internacionais e com políticas de livre comércio.
A reaglutinação de tarifas e novas medidas protecionistas, como no México e na Índia, intensificou a percepção de que a Organização Mundial do Comércio pode estar obsoleta. Há apelos por um novo quadro de governança comercial para o século 21.
Em Davos, autoridades da UE defenderam revisões no funcionamento do WTO, incluindo a possibilidade de flexibilizar regras de nação mais favorecida. A ideia é reduzir assimetrias promovidas por políticas de apoio estatal à exportação.
O governo dos EUA, sob críticas pela retração na ordem global, aponta para a necessidade de fortalecer infraestrutura social interna para mitigar impactos da globalização. Analistas destacam que a resistência a liberalização não é exclusiva de Washington.
Autoridades e economistas destacam que a China precisa recalibrar sua estratégia para evitar o colapso da confiança no sistema de comércio internacional. Pesquisas indicam que políticas de subsídios e de desvalorizações são vistas como vantagens competitivas desiguais.
Antes de Davos, o Primeiro-Ministro do Canadá assinou uma parceria estratégica com a China, refletindo o alinhamento entre deslocamentos de poder e cooperação econômica. O contorno recente inclui acordos com o Asean e visitas conjuntos entre Beijing e Seul.
O quadro atual sugere que manter um regime liberal de comércio depende de ajustes significativos. Enquanto a China registra crescimento robusto, o gasto das famílias chinesas permanece em torno de 40% do PIB, aquém de padrões de países da OCDE.
A visão de que a China pode liderar um sistema global alternativo é objeto de debate. Economistas destacam que a dependência de exportações não assegura prosperidade doméstica duradoura, exigindo maior consumo interno e inovação.
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