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Faria Lima saturada redireciona demanda por escritórios de alto padrão

Vacância de edifícios Triple A cai para 11,5%, elevando aluguéis em vias premium como Faria Lima, JK e Pinheiros, e sinalizando novo ciclo de demanda seletiva

Preços do metro quadrado em escritórios da Faria Lima podem chegar a R$ 350
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  • Em São Paulo, a absorção de escritórios no quarto trimestre de 2025 atingiu 226 mil m², totalizando 834 mil m² no ano, com recuo da vacância sobretudo em ativos de alto padrão.
  • A vacância dos escritórios Triple A caiu para 11,5% em 2025, enquanto a vacância geral ficou em 16,7%.
  • O valor médio pedido de locação chegou a R$ 144,29 por m² ao mês; a Faria Lima continua sendo a área mais cara, com média de R$ 290,06 por m², com alguns imóveis acima de R$ 350 por m².
  • Nubank anunciou ocupação de cerca de 35 mil m² no Edifício Cyrela Corporate, em Pinheiros, a partir de 2027, e 20 andares do Capote 210 (inauguração prevista para abril deste ano); Netflix inaugurou nova sede em Pinheiros no edifício OPI-07, passando a ocupar 8,2 mil m².
  • Especialistas apontam que a recuperação é movida pela qualidade e pela localização, com oferta limitada de ativos de alto padrão favorecendo a demanda e a queda da vacância em regiões premium como Faria Lima, JK e Pinheiros.

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo mostra mudança de rota em 2025. A demanda se concentra em ativos modernos, bem localizados e com tecnologia avançada, enquanto a vacância recua apenas nos edifícios Triple A. A cidade segue com ritmo de retomada seletiva.

Segundo dados da CBRE, a absorção bruta de escritórios no 4T de 2025 ficou em 226 mil m², alta de 29% frente ao trimestre anterior. O acumulado anual alcançou 834 mil m², mantendo o movimento recente de ocupação elevada.

A Cushman & Wakefield aponta queda na vacância do segmento de alto padrão, fechando 2025 em 12,77%. Em Pinheiros, a taxa despencou de 9,45% para 5,13% em um ano, sinalizando maior ocupação nas regiões premium.

A atuação do Triple A chamou atenção: a vacância nesses ativos caiu para 11,5% em 2025, ante patamar de 18% há dois anos, enquanto o mercado como um todo ficou em 16,7%.

Consequência direta é o aumento dos preços. O aluguel médio em São Paulo chegou a R$ 144,29 por m², com elevação puxada pela oferta premium. A Faria Lima manteve o terreno mais caro, em média R$ 290,06 por m².

No cenário regional, bairros como Avenida JK também registraram avanços significativos na ocupação, reforçando o movimento de priorização de localização e qualidade.

Nubank e Netflix encabeçam as mudanças recentes. Em janeiro, o Nubank anunciou investimento superior a R$ 2,5 bilhões para ampliar escritórios no Brasil, com foco em modernização e ocupação de 35 mil m² no Edifício Cyrela Corporate, em Pinheiros.

O mesmo movimento envolve o Capote 210, em Pinheiros, onde a empresa ocupará 20 andares, previsto para abril deste ano. A inauguração reforça a concentração da Nubank fora do eixo Faria Lima.

A Netflix moderniza a sede em São Paulo ao ocupar o edifício OPI-07, na Rebouças, transferindo atividades do Itaim Bibi. A área ocupada subiu de 1,6 mil para 8,2 mil m², ampliando produção local de conteúdo.

Mercado também aponta tendência de consolidação do uso do espaço. Segundo Rodrigo Abbud, da Pátria Investimentos, a área por funcionário aumentou para aproximadamente 15 m², mesmo com modelos híbridos.

O cenário macroeconômico ajuda a sustentar a retomada. A queda esperada da Selic eleva a atratividade de ativos de alta qualidade, segundo especialistas ouvidos pelo setor.

Com menos novas entregas previstas para 2026, o ritmo de expansão tende a ficar contido. Em 2025, foram entregues apenas ~50 mil m² de escritórios, em comparação com previsões maiores.

Tanto a demanda por ativos premium quanto a busca por localizações estratégicas indicam um novo ciclo para o mercado paulistano. A tendência é de recuperação mais organizada, centrada em qualidade e eficiência.

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