- A Hong Kong Monetary Authority aprovará as primeiras licenças de emissores de stablecoins em março de 2026, começando com candidatos bem avaliados em risco, combate a lavagem de dinheiro e reservas.
- Até início de fevereiro, nenhuma licença havia sido aprovada; a autoridade avaliava 36 inscrições na primeira rodada.
- O regime, vigente desde agosto, exige reserva 1:1 com ativos de alta qualidade, além de governança robusta, controles anti‑lavagem de dinheiro e adesão a requisitos de due diligence.
- Os emissores licenciados devem ser localizados localmente ou autorizados, com conselhos independentes e funções de compliance, e precisam atender a pedidos de resgate à vista.
- O ecossistema de sandbox atraiu grandes bancos, empresas de tecnologia e Web3, como Anchorpoint Financial (joint venture entre Standard Chartered, Animoca Brands e HKT), Ant Group e bancos como Bank of China Hong Kong, HSBC e ICBC.
O regulador financeiro de Hong Kong (HKMA) deve emitir as primeiras licenças para emissores de stablecoins em março de 2026, sob a Stablecoins Ordinance. As aprovações iniciais ficarão restritas a candidatos cuidadosamente avaliados, que atendam a padrões de risco, AML e reserva de ativos.
A informação foi sinalizada por meio de relatório da Reuters, que aponta para o avanço do regime após uma das estruturas regulatórias mais abrangentes do setor, em vigor desde agosto do ano passado. A evolução ocorre após a revisão regulatória e a divulgação do marco.
Em reunião da Legislative Council, o chefe executivo da HKMA, Eddie Yue, afirmou que o processo de avaliação está quase concluído e que apenas um número muito pequeno de candidatos receberá aprovação inicial. As avaliações concentram-se em usos das stablecoins, lastro das reservas, gestão de riscos e controles de AML.
Progresso regulatório
Até início de fevereiro, nenhum emissor havia sido aprovado sob o novo regime de Hong Kong. A HKMA indicou que avalia 36 candidaturas na primeira rodada, sendo que o interesse da indústria chegou a 40+ potenciais participantes. O registro público, lançado em julho de 2025, ainda está vazio.
O regime, implementado em agosto, cobre emissores de stablecoins lastreadas em moeda fiduciária em Hong Kong e emissores estrangeiros de tokens atrelados ao dólar de HK. As regras permitem emissão, administração e resgate, desde que haja reserva 1:1 de ativos de alta qualidade sob custodiante aprovado.
Os emissores devem estar localmente incorporados ou autorizados, manter controles internos robustos e ter conselhos com diretores independentes. Deverão realizar due diligence de clientes, usar carteiras digitais e cumprir AML e financiamento ao terrorismo. A HKMA pode adicionar termos, designar gestores ou cancelar licenças por infração.
Participação de bancos, gigantes e empresas Web3
Diversas instituições de peso já participam do sandbox regulatório da HKMA. Entre as candidatas estão uma joint venture da Standard Chartered com Animoca Brands e a operadora de telecomunicações HKT, em funcionamento sob o nome Anchorpoint Financial. A unidade de tecnologia digital do Ant Group também busca licença, assim como o Bank of China Hong Kong.
O HSBC e o ICBC sinalizaram intenção de requerer licença, segundo relatos, ainda que a HKMA não confirme identidades. A participação de grandes bancos ocorreu enquanto o regulador enfatiza que aprovações iniciais não significam endosso a modelos de negócio específicos.
O programa de emissão de stablecoins integra-se a um esforço regulatório mais amplo de Hong Kong para desenvolver um ecossistema de ativos digitais. A cidade já mantém regime de licenciamento para plataformas de negociação de ativos virtuais, com 11 bolsas autorizadas até o momento.
Funcionários do governo destacam a stablecoin como infraestrutura, não produto especulativo, em linha com a estratégia de fintech da cidade. O Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi utilizado para reiterar o objetivo regulatório responsável e sustentável, apesar de alertas sobre custos de conformidade impactarem a participação institucional.
Entre na conversa da comunidade