- O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que “dias melhores virão” para IPOs no Brasil, citando a estreia recente do PicPay em Nova York como sinal de janela de oportunidades.
- Segundo ele, o fluxo estrangeiro, ainda que pequeno, pode levar empresas maduras a reabrirem projetos de abertura de capital, com o setor de infraestrutura como possível início.
- Hoje, mais de cinquenta companhias já estariam aprovadas e com governança pronta para acessar o mercado, mas há falta de demanda.
- O investidor brasileiro segue avesso ao risco, com renda fixa rendendo mais, enquanto a expectativa de cortes na Selic pode estimular apostas em ações.
- A B3 acredita que, se o cenário melhorar, as primeiras ofertas devem envolver empresas robustas em setores com demanda estrutural, como saneamento e logística, com até 10 a 15 transações no ano.
Na bolsa brasileira, o IPO não ocorre desde 2021, quando a Vittia abriu capital. Na semana passada, a estreia de PicPay em Nova York sinalizou um novo momento para empresas brasileiras. A B3 vê caminho para 2026.
O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que dias melhores virão para o mercado doméstico, mesmo com parte do fluxo internacional indo para os EUA. Segundo ele, empresas maduras podem reapresentar projetos de IPO, especialmente no setor de infraestrutura.
Segundo o executivo, mais de 50 companhias já estão aprovadas para abrir capital, com governança pronta. A diferença para a janela anterior é a necessidade de demanda, não apenas de capital. O investidor brasileiro ainda prioriza renda fixa.
Cenário para 2026
A aposta é que infraestrutura — saneamento e logística — seja o ponto de partida de uma nova rodada de estreias. Depois, energia, concessões rodoviárias, farmacêuticas, cimenteiras e siderúrgicas ganham espaço, em um universo de empresas familiares com potencial de expansão.
Embora haja interesse de companhias em buscar listagem no exterior, a B3 projeta a maioria das ofertas localmente. A meta é manter o investidor doméstico na base acionária, incluindo pessoas físicas e institucionais que não atuam fora do Brasil.
A expectativa, ainda sem garantias, é de entre 10 e 15 operações no ano, entre IPOs e follow-ons, dependendo dos fluxos internacionais e da estabilidade macro. O tom é de cautela; o mercado observa a evolução da taxa Selic e do cenário macro.
Economia e demanda doméstica
A trajetória da Selic continua crucial. Mesmo com cortes, a taxa permanece elevada e freia a migração de recursos para ações. A parcela de renda variável na carteira brasileira permanece em 5% a 6%, bem abaixo do nível histórico.
Caso haja queda relevante na taxa de juros, a demanda doméstica pode reagir, ampliando liquidez e atraindo novas empresas para o mercado de capitais. A B3, por ora, mantém o otimismo contido, sem prever prazos.
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