- Stellantis anunciou uma cobrança de 22 bilhões de euros, após admitir ter superestimado o ritmo da transição para veículos elétricos e vender participação na joint venture de baterias.
- Cerca de 15 bilhões de euros correspondem a realinhar planos de produtos às preferências dos clientes e às novas regras de emissões nos Estados Unidos.
- Outros 6,5 bilhões de euros serão pagos em caixa nos próximos quatro anos, e a empresa cancelou o Ram 1500 BEV.
- A medida ocorre em meio a queda da demanda por EVs nos EUA após mudanças regulatórias e redução de incentivos, enquanto a Europa registra alta de vendas de veículos elétricos.
- A Stellantis não pagará dividendos em 2026, vendeu 49% da JV de baterias no Canadá para LG Energy Solution, e foca em fechar lacunas de execução em 2026; analistas sugerem possibilidade de reduções de capacidade ou fechamento de fábricas.
A Stellantis informou um ajuste estratégico após admitir ter superestimado o ritmo da transição para veículos elétrificados. A empresa assumiu uma despesa total de €22 bilhões e anunciará a venda de participação na joint venture de baterias. A meta é realinhar planos de produto e atender às preferências dos clientes diante de novas regras.
A operadora de marcas como Peugeot, Fiat, Jeep e Citroën destacou que a desvalorização reflete custos de uma trajetória de energia errada e falhas passadas de execução operacional. O executivo-chefe Antonio Filosa afirmou que as cobranças compensam esse descompasso entre demanda real e planejamento.
As charges incluem €6,5 bilhões em caixa a serem pagos nos próximos quatro anos. Quase €15 bilhões referem-se ao realinhamento de planos de produto com as preferências do mercado e com novas regulamentações de emissões nos EUA.
Reorganização de negócios e ações relevantes
Entre as medidas, a Stellantis cancelou o Ram 1500 BEV, veículo elétrico esperado para impulsionar a trajetória. A empresa disse que o cancelamento reflete a necessidade de alinhar demanda com o quadro regulatório dos EUA.
A companhia também revelou a venda de 49% da sua joint venture de baterias no Canadá, operada com a NextStar Energy, para a LG Energy Solution, da Coreia do Sul. A transação integra o plano de simplificar a cadeia de valor de baterias.
A Stellantis reiterou que continuará avançando com o desenvolvimento de EVs, mas afirmou que o ritmo precisa acompanhar a demanda. A gestão indicou que o progresso deverá ocorrer dentro de um patamar guiado pelo mercado, não por imposição.
A empresa informou ainda que não pagará dividendos aos acionistas em 2026 e que as ações chegaram a cair quase 19% nas primeiras negociações em Milão, atingindo o menor nível desde 2020. O pregão teve suspensão automática após a queda.
Analistas avaliam que, apesar do peso da reformulação, podem haver ajustes adicionais, como reduções de capacidade ou fechamento de fábricas, para recalibrar a base de custos diante de margens pressionadas. Estímulos ao crescimento dependem de demanda estável.
Contexto externo aponta que as vendas de EVs na Europa ganharam fôlego, enquanto nos EUA houve queda na demanda após mudanças de política, incluindo o fim de créditos fiscais e revisões regulatórias. As ações do setor permanecem sob observação.
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