- EUA e Índia lançaram um marco provisório para o acordo comercial, visando reduzir tarifas, reconfigurar vínculos energéticos e ampliar a cooperação econômica, com foco em realinhar cadeias globais de suprimentos.
- Índia concorda em reduzir barreiras comerciais para alguns produtos agrícolas, mesmo com resistência de agricultores e oposição; há críticas ao movimento.
- Importação de DDGS dos EUA pode aumentar a oferta no mercado interno, ajudando o setor avícola, mas pode pressionar produtores de óleo de sementes.
- Importação de soyoil com isenção de tarifa será permitida apenas por quota tarifária; volumes acima da quota terão tarifas para proteger produtores domésticos.
- Importação com tarifa zero de algodão está sujeita a quota, com impacto limitado; EUA é um grande exportador e Índia também enfrenta demanda por fibras extra-longas.
- Concessões para maçãs e frutos secos mantêm preço de proteção para agricultores indianos, com duty de 25% e preço mínimo de importação de 80 rúpias por kg; produtores locais seriam beneficiados.
- Physicamente, países esperam ganhos para tea, coffee, especiarias e frutas, com redução de tarifas de arroz para 18%, beneficiando exportadores de basmati e variedades comuns.
O acordo comercial entre Índia e EUA recebeu um marco provisório, com um framework que prevê redução de tarifas, reestruturação de laços energéticos e aprofundamento da cooperação econômica. O texto conjunto indica resistência de New Delhi a uma abertura ampla do mercado agrícola americano, mas aponta concessões em alguns produtos agrícolas.
O objetivo é realinhar cadeias globais de suprimento e ampliar o comércio bilateral. As partes afirmam que o framework cria vias para avanços e que haverá salvaguardas para produtores domésticos. O acordo ainda depende de negociações futuras para chegar a um entendimento definitivo.
Analistas ressaltam que a Índia busca equilibrar ganhos setoriais com proteção de produtores. O governo indiano também busca manter pressão sobre temas sensíveis, como importação de itens agrícolas, ao mesmo tempo em que busca benefícios para setores estratégicos.
DDGS e óleo de soja
A Índia deve permitir a importação de DDGS, subproduto da produção de etanol, proveniente dos EUA. Isso pode aumentar a oferta no mercado doméstico e beneficiar o setor avícola, que tem alto peso de ração no custo de produção.
Produtores de óleo vegetal podem perder espaço caso as importações dos EUA aumentem. A nova estrutura impõe quotas para o óleo de soja com tarifa zero apenas sobre volumes dentro da cota, protegendo produtores nacionais.
Algodão
A indústria têxtil indiana pode sentir pressão com a possibilidade de importações sem tarifa de algodão, principal fibra usada no país. A medida, porém, vale apenas para tipos específicos e dentro de quotas, limitando impactos.
Mesmo assim, a Índia, segundo maior produtor de algodão, enfrenta gargalos na oferta de algodão extra-longa, importada de EUA, Egito, Brasil e Austrália, para atender o setor têxtil.
Maçãs e frutos secos
A importação de maçãs pode ganhar condições favoráveis, com tarifa concessional de 25% e preço mínimo de importação de 80 rúpias por kg, para proteger produtores locais. A Índia importa cerca de 500 mil toneladas anuais de maçãs de diversos países.
No caso de frutos secos como nozes, amêndoas e pistache, a produção local é limitada e as importações concessionais devem ter efeito contido, sem prejudicar significativamente os agricultores nacionais.
Quem pode lucrar com o acordo
Produtores de chá, café, especiarias e frutas podem ganhar com acesso livre a alguns mercados dos EUA. A redução de tarifas sobre o arroz para 18% deve favorecer exportadores de basmati e variedades comuns.
A expectativa é que o benefício seja distribuído entre diferentes cadeias agroindustriais, com ganhos potenciais para exportadores e para setores que atendem demanda americana, desde que as regras de origem e quotas sejam cumpridas.
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