- O governo de Anthony Albanese aprovou a expansão da mina de carvão Middlemount, no Bowen Basin, em Queensland, de propriedade da Peabody e da Yancoal.
- A expansão exportaria cerca de 85 milhões de toneladas de carvão em 24 anos, gerando aproximadamente 236 milhões de toneladas de CO₂ ao longo da vida do empreendimento.
- Seriam desmatados 81 hectares de habitat de greater gliders e 183 hectares de habitat de koalas; o projeto identifica 1,557 mil hectares como área a ser protegida para compensação.
- O governo determinou medidas para reduzir danos aos incolos de árvore usados pelos gliders, incluindo a necessidade de identificar e realocar esses ninhos.
- Ecologistas dizem que os greater gliders provavelmente morrerão com o desmatamento e contestam a eficácia das compensações, ressaltando impactos sobre species ameaçadas e mudanças climáticas.
O governo de Anthony Albanese aprovou a expansão da mina de carvão Middlemount, no Bowen Basin, em Queensland. A ampliação envolve a remoção de habitat de espécies ameaçadas, incluindo coalas e gliders gigantes, para permitir a extração de cerca de 85 milhões de toneladas de carvão em 24 anos. A produção deverá ser exportada para uso industrial e geração de energia.
A usina coalífera é controlada pela Peabody, dos EUA, em parceria com a Yancoal, controlada pela China. Documentos oficiais indicam que o projeto pode liberar aproximadamente 236 milhões de toneladas de CO2 ao longo de sua vida útil, contribuindo para o aquecimento global. O total de áreas a ser desmatadas envolve 81 hectares de habitat de gliders e 183 hectares de habitat de coalas.
Pelo menos 1.557 hectares foram identificados como área de compensação, destinada a compensar o desmatamento. Entre as exigências governamentais, a Middlemount precisa identificar e realocar cavidades de árvores utilizadas pelos gliders, a fim de mitigar danos aos habitats.
Especialistas em ecologia criticaram a viabilidade de compensações. A maior parte dos gliders gigantes pode morrer em função da remoção de habitat, segundo analistas. Observam ainda que, mesmo com a realocação de cavidades, alterações térmicas e microclimáticas podem tornar as cavidades inadequadas para os animais.
Pesquisadores consultados destacaram que a expansão reforça riscos para espécies já ameaçadas. O glider gigante foi designado como vulnerável/ameaçado nos últimos anos, destacando a relevância de políticas de conservação frente à pressão de mineração.
Organizações ambientais reprovaram a decisão e pedem uma transição ordenada de energia, com foco em reduzir a participação do carvão. Entidades de defesa do ambiente ressaltaram que ajustes regulatórios devem priorizar a proteção de habitats críticos e a viabilidade de espécies.
A Guardian contatou representantes da Yancoal, da Peabody e do governo para comentar o assunto. Até o momento, não houve resposta publicada. A instituição reguladora avaliou o projeto dentro do arcabouço de proteção de biodiversidade vigente.
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