- Raízen registrou baixas contábeis totalizando R$ 11 bilhões, indicando necessidade de captação de recursos diante da crise de crédito.
- Dívida líquida fechou o ano em R$ 55,3 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior, elevando a alavancagem para 5,3 vezes o Ebitda.
- As avaliações de crédito foram rebaixadas para junk pela Fitch Ratings e S&P Global Ratings.
- As negociações entre os acionistas Shell e Cosan seguem sem conclusão; a empresa busca entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões para reestruturar o capital.
- Possíveis saídas incluem venda de ativos, com foco na venda de uma refinaria e de centenas de postos na Argentina, estimada para ocorrer até o fim de 2026.
A Raízen registrou baixas contábeis de 11 bilhões de reais, num momento de endividamento crescente que ameaça a continuidade das operações. A empresa revelou o fato durante apresentação de resultados, em meio a dificuldades de captação de recursos.
A dívida líquida fechou o exercício em 55,3 bilhões de reais, alta de 43% frente ao ano anterior. A alavancagem ficou em 5,3 vezes o EBITDA, frente a 3 vezes no exercício anterior, elevando o risco financeiro segundo analistas.
Analistas do Citi destacaram que o desequilíbrio na estrutura de capital é o principal ponto negativo. Eles apontam que altos encargos de juros pressionam a liquidez e a continuidade das operações.
O financiamento é tema central para a Raízen, cujas negociações entre Shell e Cosan, controladores, se estendem sem conclusão. A companhia informou que os acionistas se comprometeram a aportar capital como parte de uma solução estrutural.
Na teleconferência, o CEO Nelson Gomes indicou que o plano de transformação não bastou para equilibrar a estrutura de capital. O executivo afirmou que a empresa não pode especular sobre estruturas de capital futuras.
Conforme comunicado, a Raízen trabalha para reduzir a alavancagem e sinaliza possíveis desinvestimentos. A administração já levantou até 5 bilhões de reais com venda de ativos e mantém o foco em reestruturar o balanço.
O mercado reagiu parcialmente: títulos em dólar da Raízen subiram, com papéis de 2037 avançando na curva. Analistas destacam que maior visibilidade sobre desalavancagem é essencial para sustentar a confiança.
A companhia enfrenta ainda pressão de rating, com cortes recentes de Fitch Ratings e S&P Global Ratings para categoria considerada junk. Fontes familiares ao assunto afirmam que a Raízen precisa entre 25 e 30 bilhões de reais para recompor liquidez.
No curto prazo, a Raízen avalia uma venda de ativos no Brasil e no exterior, incluindo ativos no Argentina. A direção estima concluir esse movimento estrutural até o fim de 2026, para reduzir a dívida e estabilizar o balanço.
Entre os dados operacionais, o terceiro trimestre registrou perda líquida de 15,65 bilhões de reais, impactada pelas baixas contábeis. Em contrapartida, a unidade de distribuição de combustíveis no Brasil mostrou EBITDA de 1,6 bilhão de reais, com alta de 50% ante o ano anterior.
A empresa mantém o objetivo de chegar a uma alavancagem entre 2 e 2,5 vezes o EBITDA. Lorival Nogueira Luz Jr., diretor financeiro, ressaltou que o foco é estabilizar o balanço e reduzir o endividamento, sem revelar detalhes de planos específicos.
A direção afirmou que não há intenção de recuperação judicial e que pode vender ativos estratégicos como parte do redesenho de capital. A meta de desinvestimento inclui, segundo autoridades, a possibilidade de venda de refinarias e postos de gasolina na Argentina.
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