- A proposta de imposto sobre bilionários na Califórnia despertou interesse de endinheirados em imóveis de luxo na Flórida, especialmente em Miami.
- Corretores dizem que compradores californianos buscam “imóveis troféu” entre US$ 30 milhões e US$ 150 milhões, além de opções para mudança rápida de residência.
- Larry Page, cofundador da Alphabet, comprou uma mansão por US$ 101,5 milhões e uma propriedade à beira-mar por US$ 71,9 milhões em Coconut Grove; uma terceira aquisição elevou o total para US$ 188 milhões.
- Sergey Brin, também da Alphabet, adquiriu uma casa à beira-mar em Miami Beach por US$ 50 milhões; ele transferiu cinco empresas para Nevada recentemente.
- A demanda envolve muitos compradores anônimos, com relatos de interesse de bilionários californianos que buscam privacidade e acordos de confidencialidade.
O mercado de imóveis de luxo em Miami ganhou impulso a partir da fuga de bilionários da Califórnia, impulsionada por propostas de taxação de riqueza no estado. Corretores destacam maior procura por propriedades de alto padrão na região, mesmo com o plano ainda sem assinatura suficiente para entrar na cédula eleitoral.
Dina Goldentayer, corretora da Douglas Elliman, afirma que compradores da Califórnia buscam especialmente imóveis-troféu, com valores entre US$ 30 milhões e US$ 150 milhões. Outros procuram opções mais rápidas para residência, sem depender da conclusão de negociações complexas.
Fugas e movimentação de grandes fortunas
Larry Page, cofundador da Alphabet, comprou em janeiro uma mansão por US$ 101,5 milhões e outra à beira-mar por US$ 71,9 milhões em Coconut Grove. Uma entidade ligada a Page ainda adquiriu uma casa adjacente por US$ 15 milhões, elevando o total para US$ 188 milhões.
Sergey Brin, também cofundador da Alphabet, comprou uma casa à beira-mar em Miami Beach por US$ 50 milhões. Em dezembro, Brin adquiriu ainda uma mansão em Lake Tahoe, no Nevada, para transferir cinco LLCs.
O presidente da Meta, Mark Zuckerberg, e a esposa estariam buscando uma propriedade na ilha de Indian Creek, na região nordeste de Miami.
Demanda e perfil dos compradores
A maioria dos compradores californianos não exibe nomes públicos, em parte pela redação da possível taxação. Se aprovada, a proposta exigiria 5% sobre o patrimônio líquido superior a US$ 1 bilhão, com inclusão de ações com direito a voto em startups.
Andrew Graham, gestor de fortunas, estima que 8% de seus clientes já deixaram a Califórnia em função de questões fiscais, e que 20% consideram a mudança. A Bloomberg News aponta que mais de meia dúzia de bilionários já deixaram o estado, e 15 a 20 famílias planejam sair.
Cenário no sul da Flórida
O mercado imobiliário de Miami vive alta desde a pandemia, com valorização expressiva e recordes em novas vendas. Em 2025, uma mansão em Miami Beach foi negociada por US$ 120 milhões, segundo dados locais. O índice de transações acima de US$ 30 milhões cresceu nos últimos anos.
Corretores relatam que houve aumento de visitas e propostas de Califórnia, com compradores buscando rapidamente residência pronta. Muitos planos envolvem adquirir primeiro imóveis menores para mudança imediata, ou fechar negócio com opções rápidas de moradia.
Perspectivas e limitações
Mesmo com maior interesse, não há certeza de que muitos compradores levem estruturas empresariais com eles. Engenheiros de IA continuam concentrados na Bay Area, e alguns compradores preservam residência em seus estados de origem.
Analistas observam que a Flórida pode se tornar destino relevante para grandes fortunas, mas não necessariamente para relocação de empresas inteiras. A dinâmica de imóveis de alto padrão continua acirrada em Miami.
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